Por força da mediatização e encenação que domina a vida política, a apreciação da acção desenvolvida pelos políticos é feita muitas vezes, senão quase sempre, por critérios exteriores à sua personalidade, à qualidade do seu eu pessoal, ou seja, por regras semelhantes às que são usadas no registo da actuação das estrelas de cinema e das personalidades do mundo do espectáculo. Parece ser altura de proceder de modo diferente, se não quisermos continuar a ser enganados pelas aparências, pelo brilho formal dos gestos e dos discursos, pelos truques mediáticos e pelas luzes de ribalta que encandeiam facilmente. Nesta perspectiva, julgo possível sugerir um conjunto de dez princípios ou «mandamentos», que podem constituir bons parâmetros de apreciação dos políticos, tal como são «por dentro». De facto, «por dentro das coisas é que as coisas são». Sirvo-me, para o efeito, das definições constantes do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa (2001).Sinceridade - Qualidade da pessoa que exprime, sem dissimulação, sem manifestar fingimento ou hipocrisia, os seus sentimentos, as suas ideias.
Dedicação - Disposição de alguém para se dedicar inteiramente ao serviço de uma causa.
Coerência - Ligação, harmonia lógica, nexo entre os diversos elementos de um conjunto de factos, ideias, situações.
Honradez - Qualidade do que age ou se comporta de uma forma honesta, com dignidade; qualidade do que cumpre as regras morais ou sociais consideradas correctas; integridade de carácter.
Humildade - Capacidade de reconhecer erros ou defeitos próprios.
Persistência - Qualidade daquele que permanece inabalável nos seus propósitos, nos seus objectivos, nas suas opiniões.
Lealdade - Virtude que consiste em ser-se fiel aos seus compromissos com alguém, com um princípio, com uma causa.
Parcimónia - Moderação nas despesas, economia de meios, redução prudente de gastos ao essencial, ao mínimo necessário.
Solidariedade - Responsabilidade mútua entre os membros de uma comunidade, classe, empresa; sentimento que impele o indivíduo a prestar auxílio moral ou material a outrem.
Generosidade - Tolerância para com os outros; qualidade de quem é indulgente, benevolente; qualidade de quem é capaz de dávida gratuita, de sacrificar o interesse pessoal em benefício do bem dos outros; disposição para dar alé-m daquilo a que se está obrigado.






Quando procuramos conhecer as razões que levam à existência de tantas leis de má qualidade, frequentemente objecto de modificações e ajustamentos, o que torna mais difícil o seu bom conhecimento e a sua correcta aplicação, é forçoso partir de um pressuposto fundamental: as leis não podem ser apenas o produto da vontade dos seus autores, como elite a quem foi atribuído o poder legislativo, mas devem incorporar as aspirações e necessidades efectivas da comunidade. Quando falta esta correlação o processo legislativo revela-se deficiente. A eleição dos representantes do povo nos órgãos com competência legislativa, contrariamente ao que possam pensar os deputados da Assembleia da República e os membros do Governo, não implica uma delegação total e absoluta do poder de decidir, pelo que ao longo da legislatura o processo de audiência e de auscultação das populações é fundamental para a correcta percepção do que deve ser e como deve ser legislado. De outro modo, como nos ensina a experiência, será frequente surgirem leis desfasadas da realidade e, por isso, de difícil execução ou mesmo inúteis. 










Na imprensa de ontem pôde ler-se o seguinte (transcrevo do jornal i):Foram registados 10 mil abortos no primeiro semestre deste ano, a maioria em Lisboa. Os dados são da 















