terça-feira, 27 de outubro de 2009

O CONFLITO ISRAELO-PALESTINIANO - II


Os erros históricos na primeira metade do século XX. No seguimento do comentário anterior, é importante salientar que a emigração de judeus para a Palestina aumentou de ritmo após a declaração do Ministro britânico dos Negócios Estrangeiros Arthur Balfour, feita em 1917, de que a Grã-Bretanha se comprometia a apoiar a criação de um Lar Nacional Judaico no território, e acelerou-se de forma extraordinária na década de 1930 após a subida de Hitler ao poder na Alemanha, e mais ainda após o termo da II Guerra Mundial, quando se teve pleno conhecimento da extensão e da inimaginável crueldade do Holocausto. Depois, face à contínua conflitualidade instalada na Palestina e perante o termo do mandato sobre o território que fora atribuído à Grã-Bretanha pela antiga Sociedade das Nações, a Assembleia Geral da ONU decidiu em Novembro de 1947 proceder à partilha do território em partes quase iguais, tendo em vista a criação de dois estados, com excepção da cidade de Jerusalém, à qual foi atribuído um estatuto internacional. Neste processo os árabes cometeram o erro de rejeitarem liminarmente a partilha e terem preferido a guerra (1948-1949), que não ganharam, com a consequente perda de território e o início do drama dos refugiados. Por seu turno, os judeus cometeram o erro de terem aceite a partilha com reserva mental, ou seja, sem afirmarem que se limitariam sempre às fronteiras definidas no mapa da ONU.

Uma vez terminadas as hostilidades, não se regressou ao processo de partilha da ONU, mas consolidou-se uma paz precária baseado num simples armistício. Voltaram a ser praticados erros políticos, que agravaram a situação. Assim, os árabes cometeram o erro de não aceitarem a derrota, talvez com a reserva mental de voltarem às hostilidades, o que de facto aconteceu, e, muito pior, o de não terem tomado qualquer iniciativa tendente à definição de um estado palestiniano. Pelo contrário, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza passaram a ser administradas pela Jordânia e pelo Egipto, respectivamente. Por seu turno, os israelitas cometeram igualmente um erro, uma vez que, depois do armistício, mantiveram como seus os territórios conquistados aos árabes, o que correspondeu de facto à rejeição da partilha da ONU. Face a este «status quo, os árabes voltaram a cometer um erro sério com a criação em 1964 da Organização de Libertação da Palestina, não só pelo facto de os seus estatutos (só alterados nesta parte em 1988) preverem que o estado palestiniano abrangeria toda a Palestina, o que era absurdo, mas também porque optou, não pela luta político-diplomática, mas pela guerrilha armada e pelo terrorismo. Foi o início da situação caótica e dramática em que mergulhou a região até aos dias de hoje.