sábado, 31 de outubro de 2009

O CONFLITO ISRAELO-PALESTINIANO - III

Os erros históricos da segunda metade do século XX. As considerações feitas aqui e aqui permitiram perspectivar a origem, as características e a extensão do drama político e humano em que se transformou este conflito. Entretanto, a guerra preventiva de Israel desencadeada em 1967 e a sua vitória esmagadora em apenas uma semana determinou a prática de um erro grave por parte dos políticos israelitas, na medida em ficaram sem saber bem o que fazer com os territórios conquistados. Se é verdade que a península do Sinai foi devolvida ao Egipto com o tratado de paz de 1979, não foi elaborado nenhum projecto político consistente para os árabes da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, com definição do seu estatuto jurídico à luz do direito internacional. Permaneceu assim a indefinição resultante da mera situação de facto da ocupação militar, que facilitou o desenvolvimento da ideia da possível futura anexação desses territórios para a constituição do Grande Israel, de contornos bíblicos(ver mapa acima). Foi com base nesta ideia que se iniciou a construção de colonatos em terras árabes. Por seu turno, os palestinianos, agora sujeitos à soberania israelita, mas sem serem cidadãos israelitas, reincidiram no erro anterior de, em vez de desenvolverem campanhas pacíficas, com apoio internacional, para que lhes fosse aplicado o princípio da autodeterminação, prosseguiram as acções violentas através da guerrilha armada da OLP, chefiada por Yasser Arafat, que culminaram na 1.ª intifada em 1989.

Abriu-se uma janela de esperança em direcção à paz com a celebração em 1993 dos acordos de Oslo, cujos principais protagonistas Yitzhak Rabin (Primeiro Ministro de Israel), Shimon Peres (Ministro dos Negócios Estrangeiros israelita) e Yasser Arafat foram galardoados em 1994 com o Prémio Nobel da Paz (ver aqui). Se é verdade que para o falhanço dos acordos também pode ter contribuído a morte de Rabin, morto a tiro por um extremista judeu em 1995, a causa profunda do fracasso verificado está nos erros que continuaram a ser cometidos. Israel não escapou ao erro de, por causa dos colonatos, não aceitar devolver sem restrições toda a Cisjordânia conquistada, incluindo Jerusalém oriental, não obstante as Resoluções da ONU nesse sentido. Por seu turno, os palestinianos reincidiram no erro da exigência irrealista do regresso dos refugiados e no erro de não conseguirem pôr termo a toda e qualquer actividade de guerrilha. Apesar de tudo, os Acordos de Oslo deram origem a realidades positivas: a criação da Autoridade Palestiniana, como entidade política reconhecida no plano internacional; a entrega de pequenas partes da Cisjordânia à administração directa da Autoridade Palestiniana; o estabelecimento de pontes de diálogo entre as duas partes, embora até aos dias de hoje as conversações, inúmeras vezes iniciadas e interrompidas, tenham constituído um completo e doloroso fracasso.