A imagem do leão moribundo, de quem mais ou menos desrespeitosamente se aproximam os restantes animais, até aí um tanto escondidos na floresta, expectantes e silenciosos, é a imagem forte e ajustada que me ocorre, ao observar o que se tem passado no PSD e nalguns meios de comunicação social desde a noite das eleições autárquicas. Os novos candidatos a defenestradores de Praga quase fazem fila, para ver quem primeiro se apresenta para, quanto antes, sem contemplações, apear mais um líder, mesmo que o simples bom senso inerente a qualquer processo democrático (um dirigente deve, sempre que possível, cumprir o seu mandato) e as necessidades políticas imediatas do país, que aguarda o início de funções do novo Governo e a aprovação do orçamento para 2010, imponham a serenidade e a clarividência de quem precisa de reflectir e discutir, de forma madura e responsável, o futuro do partido no contexto dos interesses do país. Porém, o que parece faltar é exactamente isso: bom senso, lucidez e clarividência, além da paciência, que é uma das qualidades exigidas na acção política. Nesta movimentação política fora do tempo e do contexto, um rosto voltou à ribalta e iniciou já a sua vigorosa encenação. Por isso, parece indispensável reavivar a memória a muitos que relatam ou comentam os acontecimentos. Nas eleições que tiveram lugar no PSD em Maio de 2008 Pedro Passos Coelho teve 31% dos votos, ou seja, menos de um terço do total. Embora tivesse sido uma votação apenas sofrível
, o candidato derrotado não teve a capacidade nem a grandeza de fazer o que fez John McCain após ter perdido as eleições para a presidência dos Estados Unidos, ao afirmar, aliás num discurso notável de reconhecimento da derrota, que daí para a frente Barak Obama seria o seu presidente. Pelo contrário, Pedro Passos Coelho procedeu, de forma sistemática, embora enviesadamente, ao prolongamento artificial da campanha eleitoral, através de intervenções críticas programadas como se tudo continuasse ainda em aberto. Ou seja, na prática recusou-se a aceitar o resultado das eleições, o que é politicamente grave. Por outro lado, muitas das suas intervenções visando o desgaste da imagem da líder do PSD na praça pública foram feitas com o apoio explícito de órgãos de comunicação social claramente alinhados com o Governo do PS, numa concertação objectiva com interesses partidários opostos aos do partido a que pertence, o que é de igual modo politicamente grave.
, o candidato derrotado não teve a capacidade nem a grandeza de fazer o que fez John McCain após ter perdido as eleições para a presidência dos Estados Unidos, ao afirmar, aliás num discurso notável de reconhecimento da derrota, que daí para a frente Barak Obama seria o seu presidente. Pelo contrário, Pedro Passos Coelho procedeu, de forma sistemática, embora enviesadamente, ao prolongamento artificial da campanha eleitoral, através de intervenções críticas programadas como se tudo continuasse ainda em aberto. Ou seja, na prática recusou-se a aceitar o resultado das eleições, o que é politicamente grave. Por outro lado, muitas das suas intervenções visando o desgaste da imagem da líder do PSD na praça pública foram feitas com o apoio explícito de órgãos de comunicação social claramente alinhados com o Governo do PS, numa concertação objectiva com interesses partidários opostos aos do partido a que pertence, o que é de igual modo politicamente grave. No entanto, deve reconhecer-se que também Manuela Ferreira Leite, que apenas conquistou 38% dos votos, terá falhado, pelo pouco que se sabe do que se terá passado nos bastidores, a concretização de actua
ções de desanuviamento interno e de integração política dos adversários, de que tivemos nos últimos tempos bons exemplos nalguns países. Recorde-se que o Presidente Sarkozy nomeou para o seu Governo personalidades anteriormente ligadas ao Partido Socialista Francês, com destaque para o Ministro dos Negócios Estrangeiros Bernard Kouchner. Na mesma linha de acção, Barak Obama não teve dificuldade em manter o Secretário da Defesa Robert Gates, que transitou da anterior e «odiada» Administração Bush, bem como em designar para a Secretaria de Estado a sua arqui-rival Hillary Clinton, que contra ele tinha desenvolvido uma campanha muito dura nas eleições primárias. Sejamos claros: a pacificação e a regeneração do PSD exigem não só a alteração dos métodos de acção política, mas também a radical modificação dos comportamentos individuais.
ções de desanuviamento interno e de integração política dos adversários, de que tivemos nos últimos tempos bons exemplos nalguns países. Recorde-se que o Presidente Sarkozy nomeou para o seu Governo personalidades anteriormente ligadas ao Partido Socialista Francês, com destaque para o Ministro dos Negócios Estrangeiros Bernard Kouchner. Na mesma linha de acção, Barak Obama não teve dificuldade em manter o Secretário da Defesa Robert Gates, que transitou da anterior e «odiada» Administração Bush, bem como em designar para a Secretaria de Estado a sua arqui-rival Hillary Clinton, que contra ele tinha desenvolvido uma campanha muito dura nas eleições primárias. Sejamos claros: a pacificação e a regeneração do PSD exigem não só a alteração dos métodos de acção política, mas também a radical modificação dos comportamentos individuais.