São diversificados os sentimentos que nos podem dominar neste dia, em que nos despedimos do ano que
finda. Para alguns será talvez um dia de esquecimento do passado, sobretudo se o ano foi de alguma amargura e frustração, pelo que toda a atenção se concentra na esperança do novo ano, que se deseja bom, feliz e propício. Por isso, as festas, em tantos casos dispendiosas e extravagantes, do fim do ano têm de certo modo o objectivo de branquear tudo o que viveu até hoje e de fingir que no futuro todos vão estar muito contentes e felizes. Mas o fim do ano será para outros, que não voltam as costas ao passado e tentam viver com solidez o seu quotidiano, o dia de todas as avaliações: do que correu bem ou mal, daquilo em que houve erros ou se acertou, enfim, dos momentos bons e menos bons vividos ao longo do ano.
finda. Para alguns será talvez um dia de esquecimento do passado, sobretudo se o ano foi de alguma amargura e frustração, pelo que toda a atenção se concentra na esperança do novo ano, que se deseja bom, feliz e propício. Por isso, as festas, em tantos casos dispendiosas e extravagantes, do fim do ano têm de certo modo o objectivo de branquear tudo o que viveu até hoje e de fingir que no futuro todos vão estar muito contentes e felizes. Mas o fim do ano será para outros, que não voltam as costas ao passado e tentam viver com solidez o seu quotidiano, o dia de todas as avaliações: do que correu bem ou mal, daquilo em que houve erros ou se acertou, enfim, dos momentos bons e menos bons vividos ao longo do ano. São inevitáveis e, por assim dizer, obrigatórias, as avaliações colectivas, que é habitual os meios de comunicação fazerem nesta altura, em jeito de balanço global do ano. P
rocede-se assim ao escrutínio dos acontecimentos mais marcantes, pela positiva e pela negativa, em todos os domínios da vida colectiva: na política, porque é indispensável saber até que ponto a governação cumpriu os seus objectivos ou fracassou nas suas responsabilidades; na economia, porque o país está mergulhado numa crise estrutural, que tem sido escondida pela crise internacional; no domínio social, porque não se tem sido suficientemente eficaz no combate à pobreza e às desigualdades sociais; na cultura, porque sentimos que que a deficiente qualidade colectiva do país passa por aí; no ambiente, porque não sabemos até que ponto os desastres naturais que se sucederam ao longo dos meses foram consequência dos «atentados ecológicos» de que tanto se fala.
rocede-se assim ao escrutínio dos acontecimentos mais marcantes, pela positiva e pela negativa, em todos os domínios da vida colectiva: na política, porque é indispensável saber até que ponto a governação cumpriu os seus objectivos ou fracassou nas suas responsabilidades; na economia, porque o país está mergulhado numa crise estrutural, que tem sido escondida pela crise internacional; no domínio social, porque não se tem sido suficientemente eficaz no combate à pobreza e às desigualdades sociais; na cultura, porque sentimos que que a deficiente qualidade colectiva do país passa por aí; no ambiente, porque não sabemos até que ponto os desastres naturais que se sucederam ao longo dos meses foram consequência dos «atentados ecológicos» de que tanto se fala.Não menos inevitáveis são as avaliações individuais, em que cada um tenta perceber o que foi o registo da sua vida no ano que agora acaba. São estas as avaliações mais importantes, pois, como salientou um filósofo grego da Antiguidade, embora noutro contexto, «o homem é a medida de todas as coisas», ou seja, aquilo que o homem for, assim será a sociedade. Essas são também, sem dúvida, as avaliação mais difíceis, porque implicam uma pesquisa interior no âmago do nosso eu, ou seja, um penoso desbravamento do denso matagal das nossas ideias erradas, dos nossos equívocos, dos nossos preconceitos, dos nossos medos e das nossas sensibilidades distorcidas.

























Quem aceita a existência de Deus, mesmo que, independentemente da consciência de possuir uma determinada fé, apenas chegue a essa conclusão por processos puramente racionais, através da reflexão filosófica ou de outras análises, em especial com base na consideração da espantosa e maravilhosa realidade, tanto macroscósmica como microcósmica, do universo de que fazemos parte, não pode deixar de pensar com profundidade no significado de um dos atributos do puro Espírito que é Deus, a sua omnipresença. Ao longo dos séculos esta qualidade divina fez resvalar alguns pensadores para posições mais ou menos panteístas, por terem tido dificuldade em distinguir essa omnipresença com a grandeza e amplidão, que parecem infinitas, da realidade material e energética do universo. Com o contributo da fé essa percepção da permanente presença de Deus, sem se confundir com o mundo criado, torna-se mais fácil, uma vez que Deus aparece então como um Ente pessoal, transcendente, próprio e autónomo ou, na expressão bíblica «aquele que foi, é e sempre será».



De repente, quando, a propósito da apresentação pelo Governo da proposta do segundo orçamento rectificativo para o corrente ano, foram conhecidos os números, antes cuidadosamente escondidos, da verdade sobre a situação económica e financeira do país, expressa nos elevadíssimos índices do défice orçamental, bem como da dívida pública e do défice externo, surgiu, como que por encanto, quase em uníssono, um coro de vozes de destacados economistas, a começar pelo Governador do Banco de Portugal, a declarar a inevitabilidade do aumento dos impostos para endireitar as finanças públicas. Os argumentos apresentados foram os do costume: a maior parte dos encargos do Estado são rígidos (salários da função pública, prestações sociais e juros da dívida), pelo que pouco haverá a cortar na despesa. Logo, a solução será ir uma vez mais aos bolsos dos contribuintes, sem curar de saber se neles existe muito dinheiro. Entretanto, por feliz coincidência, foi tornado público um relatório do Fundo Monetário Internacional que, em geral, na visão tecnocrática habitual, afina pelo mesmo diapasão.





