A investigadora em assuntos judaicos e destacada personalidade da comunidade judaica de Lisboa Esther Mucznik escreveu no passado dia 3 de Dezembro, no jornal Público, um interessante artigo em que, sob o sugestivo título O «unilateralismo de mão estendida», faz a análise crítica do período de quase um ano que já leva a
Administração Obama. Sobre o que o presidente norte-americano tem feito para resolver o grave e prolongado conflito entre israelitas e palestinianos (leia-se aqui também sobre a actuação dos Estados Unidos neste domínio) salienta de forma muito impressiva: Os mesmos sinais contraditórios fazem-se sentir em relação ao conflito israelo-palestiniano. Obama começou por exigir o fim imediato, total e incondicional da colonização judaica na Cisjordânia, para depois recuar, face às dificuldades no terreno. O resultado é uma frustração por parte dos palestinianos, que se sentem traídos, e uma perda de credibilidade na região. «Eu nunca teria dito aos israelitas para pararem a colonização, sem estar certo de poder seguir a mesma linha», diz McCain. Creio que tem razão. O carácter errático desta actuação tem como reverso da medalha a intransigência da Autoridade Palestiniana face à recente proposta do Governo israelita do congelamento por dez meses da colonização na Cisjordânia. Face a estes comentários tão certeiros, há, porém, duas interrogações que ficam no ar.
Administração Obama. Sobre o que o presidente norte-americano tem feito para resolver o grave e prolongado conflito entre israelitas e palestinianos (leia-se aqui também sobre a actuação dos Estados Unidos neste domínio) salienta de forma muito impressiva: Os mesmos sinais contraditórios fazem-se sentir em relação ao conflito israelo-palestiniano. Obama começou por exigir o fim imediato, total e incondicional da colonização judaica na Cisjordânia, para depois recuar, face às dificuldades no terreno. O resultado é uma frustração por parte dos palestinianos, que se sentem traídos, e uma perda de credibilidade na região. «Eu nunca teria dito aos israelitas para pararem a colonização, sem estar certo de poder seguir a mesma linha», diz McCain. Creio que tem razão. O carácter errático desta actuação tem como reverso da medalha a intransigência da Autoridade Palestiniana face à recente proposta do Governo israelita do congelamento por dez meses da colonização na Cisjordânia. Face a estes comentários tão certeiros, há, porém, duas interrogações que ficam no ar.De facto, temos de nos interrogar sobre o que terá levado um presidente tão poderoso e até há pouco tempo com elevadas quotas de popular
idade a entrar numa contradição tão flagrante entre promessas feitas e realizações concretizadas em matéria muito sensível. Parecem possíveis três razões. Por um lado, terá avaliado mal a extrema complexidade do problema e os seus antecedentes muito intrincados. Além disso, não terá compreendido correctamente a alteração qualitativa que implicou a designação como Primeiro-Ministro de Israel, à frente de um governo fortemente conservador, de Benjamin Netanyahu, um político tão inteligente e hábil como cínico, que sabe movimentar-se nos bastidores políticos de Washington, que conhece bem. Finalmente, Obama não conseguiu evitar que no discurso sobre a paz no Médio Oriente surgissem dissonâncias entre a sua comunicação e a da Secretária de Estado Hillary Clinton.
idade a entrar numa contradição tão flagrante entre promessas feitas e realizações concretizadas em matéria muito sensível. Parecem possíveis três razões. Por um lado, terá avaliado mal a extrema complexidade do problema e os seus antecedentes muito intrincados. Além disso, não terá compreendido correctamente a alteração qualitativa que implicou a designação como Primeiro-Ministro de Israel, à frente de um governo fortemente conservador, de Benjamin Netanyahu, um político tão inteligente e hábil como cínico, que sabe movimentar-se nos bastidores políticos de Washington, que conhece bem. Finalmente, Obama não conseguiu evitar que no discurso sobre a paz no Médio Oriente surgissem dissonâncias entre a sua comunicação e a da Secretária de Estado Hillary Clinton.A segunda interrogação tem que ver com a alegada intransigência da Autoridade Palestiniana. Trata-se antes, na realidade, de falta de confiança em Netanyahu, não só pelos seus antecedentes políticos, mas pelas posições rígidas que este adoptou desde que assumiu funções. Começou por ignorar por completo o projecto de dois estados independentes, contrariamente ao que consta da agenda internacional. Depois, recusou-se de forma reiterada a declarar o congelamento da colonização judaica na Cisjordânia, também reclamada no plano internacional. Só recentemente aceitou, com indisfarçável relutância, o simples congelamento temporário, apenas por dez meses.