domingo, 13 de dezembro de 2009

A REALIDADE DA PRESENÇA DE DEUS

Quem aceita a existência de Deus, mesmo que, independentemente da consciência de possuir uma determinada fé, apenas chegue a essa conclusão por processos puramente racionais, através da reflexão filosófica ou de outras análises, em especial com base na consideração da espantosa e maravilhosa realidade, tanto macroscósmica como microcósmica, do universo de que fazemos parte, não pode deixar de pensar com profundidade no significado de um dos atributos do puro Espírito que é Deus, a sua omnipresença. Ao longo dos séculos esta qualidade divina fez resvalar alguns pensadores para posições mais ou menos panteístas, por terem tido dificuldade em distinguir essa omnipresença com a grandeza e amplidão, que parecem infinitas, da realidade material e energética do universo. Com o contributo da fé essa percepção da permanente presença de Deus, sem se confundir com o mundo criado, torna-se mais fácil, uma vez que Deus aparece então como um Ente pessoal, transcendente, próprio e autónomo ou, na expressão bíblica «aquele que foi, é e sempre será».

Esta natureza pessoal de Deus permite ter uma perspectiva mais clara e impressiva da sua omnipresença: uma presença permanente, em todos os lugares, em todos os momentos e em todas as circunstâncias, mas sem eliminar nem condicionar a autonomia do homem que, embora finito e contingente, permanece um ser racional pensante, dotado de liberdade pessoal, consciente do seu próprio eu, com capacidade individual de decisão. Isto significa que é possível um diálogo entre Deus, enquanto Pessoa transcendente, Razão pura, Inteligência infinita, e a pessoa do homem, embora a sua razão e a sua inteligência sejam limitadas.

Esta é uma das formas pelas quais o homem pode quebrar a sua solidão, em que cai com tanta facilidade e frequência, quando, por qualquer motivo, se sente afastado, física, mental e emocionalmente, dos outros homens, não obstante serem seus iguais. Afinal, por força da sua omnipresença, Deus está sempre ali mesmo, disponível para atender, à espera que o homem saia do seu esconderijo mental, da sua toca espiritual ou do seu refúgio emocional, onde se esconde quando tem medo, sobretudo de si próprio. Vencer os seus medos constitui para o homem uma batalha permanente.