Tudo leva a crer que o Governo ainda não percebeu completamente a alteração radical que as eleições de 27 de Setembro introduziram no processo político, por força da maioria, simples e fraca,
obtida pelo PS. Os quadros mentais e as práticas políticas estão ainda muito modelados por mais de quatro anos de maioria absoluta, ainda por cima exercida nas condições que todos conhecemos (com arrogância, unilateralismo, aspereza e autismo). Por isso, à conta da alegada governabilidade (palavra mágica que agora é repetida todos os dias) entrou-se num estranho jogo de aparências e enganos, de equívocos e mal entendidos. Daí a reacção do Governo àquilo que chama «coligações negativas» ou «atitudes de vingança» das oposições. Daí também os seus apelos ao «interesse nacional», mas em que no jogo das palavras fica subentendido que este interesse vem no essencial a coincidir com as propostas do partido que suporta o Governo. Nesta perspectiva, parece que às oposições competiria fundamentalmente um papel «patriótico» passivo, de concordância e abstenção.
obtida pelo PS. Os quadros mentais e as práticas políticas estão ainda muito modelados por mais de quatro anos de maioria absoluta, ainda por cima exercida nas condições que todos conhecemos (com arrogância, unilateralismo, aspereza e autismo). Por isso, à conta da alegada governabilidade (palavra mágica que agora é repetida todos os dias) entrou-se num estranho jogo de aparências e enganos, de equívocos e mal entendidos. Daí a reacção do Governo àquilo que chama «coligações negativas» ou «atitudes de vingança» das oposições. Daí também os seus apelos ao «interesse nacional», mas em que no jogo das palavras fica subentendido que este interesse vem no essencial a coincidir com as propostas do partido que suporta o Governo. Nesta perspectiva, parece que às oposições competiria fundamentalmente um papel «patriótico» passivo, de concordância e abstenção.Desfeito, porém, este cenário, tão cuidadosamente montado, a realidade mostra-se como é, nua e crua. O Governo é irremediavelmente minoritário, pelo que é ele que antes de tudo precisa das oposições e essa necessidade implica acções inteligentes, sinceras e positivas de abertura a uma sã cooperação. Ora, o Governo não fez até agora nenhum esforço sério para encontrar parceiros credíveis que possam ajudá-lo a conduzir a pesada barca da governação. É que isso implica muitas coisas, que não têm sido feitas: por um lado, mudança clara, mesmo radical, de linguagem, de discurso e de prática política; por outro lado, adequações programáticas que permitam uma base sólida de entendimento político em relação ao que é absolutamente prioritário para as actuais necessidades económicas e financeiras do país.
A evidente dificuldade, que parece roçar a impossibilidade, de estas mudanças sere
m levadas a cabo, tem, porém, um rosto, o do Primeiro-Ministro. José Sócrates, pela sua personalidade, pelo seu feitio pessoal, pelo seu modo de falar (crispado, umas vezes, fingido e teatral, outras vezes), pela sua forma de actuar na arena política, pela superficialidade da sua análise dos assuntos da governação, tem mostrado à saciedade que a saída para os graves problemas do país, como por vezes acontece na vida dos povos, se encontra inteiramente personalizada. Nesse sentido, a história ensina-nos também que por vezes é preciso «sacrificar» um dirigente para salvar o país. É esse gesto patriótico que seria lícito esperar do Primeiro-Ministro, salvo se o orgulho e a vaidade do poder prevalecerem, para evitar que Portugal caminhe ainda mais no plano inclinado em que já se encontra.
m levadas a cabo, tem, porém, um rosto, o do Primeiro-Ministro. José Sócrates, pela sua personalidade, pelo seu feitio pessoal, pelo seu modo de falar (crispado, umas vezes, fingido e teatral, outras vezes), pela sua forma de actuar na arena política, pela superficialidade da sua análise dos assuntos da governação, tem mostrado à saciedade que a saída para os graves problemas do país, como por vezes acontece na vida dos povos, se encontra inteiramente personalizada. Nesse sentido, a história ensina-nos também que por vezes é preciso «sacrificar» um dirigente para salvar o país. É esse gesto patriótico que seria lícito esperar do Primeiro-Ministro, salvo se o orgulho e a vaidade do poder prevalecerem, para evitar que Portugal caminhe ainda mais no plano inclinado em que já se encontra.