Foi com evidente tom de euforia que o Governo anunciou a instalação de uma fábrica de pilhas para dotar os automóveis eléctricos que aí vêm. Este triunfalismo governamental corresponde à sua convicção, naturalmente muito subjectiva, de que há no país uma desesperada necessidade de viaturas eléctricas, que constituiriam assim uma manifesta prioridade para
a economia do país. Por outro lado, quem ouviu a notícia poderia ser levado a pensar que se trata de uma fábrica pública, propriedade do Estado, mas não, estamos perante uma empresa privada. Em Portugal é assim: não são as empresas que anunciam os seus investimentos, como seria normal (há tantas coisas no país que não são normais), mas é o Governo que assume essa função, que faz a comunicação ao país, como se tudo dependesse dele, como se fosse ele o promotor económico. A empresa tem naturalmente um protocolo de cooperação com o Estado, o que significa, em linguagem simples, que terá apoios, em subsídios directos, em bonificações fiscais e noutras vantagens. Parece que também haverá apoios para quem vier a adquirir um automóvel eléctrico. Como se vê, é tudo muito fácil, é só ir ao Orçamento do Estado, onde se encontram as receitas dos impostos que pagamos.
a economia do país. Por outro lado, quem ouviu a notícia poderia ser levado a pensar que se trata de uma fábrica pública, propriedade do Estado, mas não, estamos perante uma empresa privada. Em Portugal é assim: não são as empresas que anunciam os seus investimentos, como seria normal (há tantas coisas no país que não são normais), mas é o Governo que assume essa função, que faz a comunicação ao país, como se tudo dependesse dele, como se fosse ele o promotor económico. A empresa tem naturalmente um protocolo de cooperação com o Estado, o que significa, em linguagem simples, que terá apoios, em subsídios directos, em bonificações fiscais e noutras vantagens. Parece que também haverá apoios para quem vier a adquirir um automóvel eléctrico. Como se vê, é tudo muito fácil, é só ir ao Orçamento do Estado, onde se encontram as receitas dos impostos que pagamos.Vistas assim as coisas, tal como aparecem, nem há já a preocupação de as camuflar, até dá a impressão de que muitas empresas privadas não são o que formalmente são, mas sim uma espécie de organismos do Estado. Na realidade, por força da presença tentacular do Estado, são empresas «protegidas» e, desse modo, de facto tuteladas pelo Governo e, assim, dependentes do poder político, que é também um poder partidário. É esta a economia de mercado que temos, uma verdadeira originalidade.
Entretanto, não ouvimos até agora uma única pala
vra de nenhum membro do Governo sobre essa verdadeira desgraça social que são as pessoas sem abrigo. Neste período das festas natalícias volta a falar-se neles. No entanto, nesta vergonhosa situação nada tem desculpa: nem o facto de também haver sem abrigo noutros países, até mais ricos do que nós, nem a circunstância de eventualmente algumas dessas pessoas não quererem deixar de ser o que são. Neste país fazem-se planos para tudo e mais alguma coisa, mas não há um plano para resolver esta chaga social? Será que não é economicamente rentável recuperar e integrar estas pessoas marginalizadas? O Estado, que se mete em tantas coisas, permanece indiferente a esta situação?
vra de nenhum membro do Governo sobre essa verdadeira desgraça social que são as pessoas sem abrigo. Neste período das festas natalícias volta a falar-se neles. No entanto, nesta vergonhosa situação nada tem desculpa: nem o facto de também haver sem abrigo noutros países, até mais ricos do que nós, nem a circunstância de eventualmente algumas dessas pessoas não quererem deixar de ser o que são. Neste país fazem-se planos para tudo e mais alguma coisa, mas não há um plano para resolver esta chaga social? Será que não é economicamente rentável recuperar e integrar estas pessoas marginalizadas? O Estado, que se mete em tantas coisas, permanece indiferente a esta situação?