terça-feira, 13 de outubro de 2009

AS ELEIÇÕES E OS COMENTADORES POLÍTICOS



Desde que teve início o longo ciclo eleitoral que terminou no passado domingo, pudemos assistir a um fenómeno interessante e curioso, ou seja, à proliferação de debates de comentário político nos meios de comunicação social, designadamente nas estações de televisão, por grupos ou painéis de comentadores. Foram talvez mais relevantes os debates subsequentes às entrevistas feitas aos líderes partidários em frente a frente, já que a sua duração, necessária para que tudo e mais alguma coisa fosse esmiuçado, segundo o modelo de análise estabelecido, ultrapassou em regra a das próprias entrevistas. Nesta verdadeira pletora de comentários e contracomentários, não foram apenas objecto de análise declarações dos dirigentes partidários e factos políticos com relevância, mas também simples cenários imaginados, meras hipóteses de ocorrências futuras, naturalmente imprevisíveis, por vezes bastante subjectivas e, por isso, de utilidade duvidosa. O modo como esta catadupa de sessões de comentário político foi realizada acabou por deixar no ar e no espírito de muitos ouvintes e espectadores um sem número de interrogações e perplexidades.

Na verdade, umas vezes ouvimos afirmações peremptórias, quase dogmáticas, como se os fenómenos políticos fossem lineares, feitos de certezas inabaláveis e de convicções indestrutíveis. Outras vezes demos conta de que as apreciações das declarações e dos comportamentos dos dirigentes partidários, bem como dos acontecimentos políticos da campanha, eram ligeiras, mesmo superficiais, com frequência claramente subjectivas, próprias de quem dá uma simples opinião pessoal, sem fundamentação adequada. Noutras circunstâncias apercebemo-nos de que certas coisas terão sido tratadas pela rama, pelo que as análises produzidas se resumiam a simples generalidades, a coisas evidentes, a lugares comuns, sem a indispensável ponderação e o devido aprofundamento. Por seu turno, quanto a aspectos mais formais, as coisas também correram por vezes de modo a causar estranheza: nalguns casos, parecia que se tratava de uma tertúlia de café, com conversas informais, por demais descontraídas, mesmo divertidas, já que não faltaram comentários jocosos que com dificuldade se poderiam considerar apropriados ao objecto, ao modo, ao tempo e ao lugar das sessões de comentário político.