quarta-feira, 14 de outubro de 2009

PORQUE PERDEU PEDRO SANTANA LOPES



A coligação eleitoral Lisboa com Sentido, liderada por Pedro Santana Lopes, perdeu de forma clara e inequívoca as eleições autárquicas realizadas no passado domingo. Podem ser dadas para o acontecimento as mais variadas explicações, já que em política poucas coisas são lineares. Creio, no entanto, que a derrota eleitoral foi natural e nesse sentido era expectável, na medida em que resultou da conjugação de dois factores que, sendo sempre importantes quando isoladamente considerados, ganham muito mais força quando se verificam em simultâneo. O primeiro factor resulta da consideração de que em Lisboa, por razões culturais e sociológicas, que a história comprova, a esquerda é sensivelmente maioritária. Por isso, tende a ganhar as eleições, a não ser que ocorram circunstâncias especiais. O segundo factor decorre da aplicação do princípio de que a história não se repete, ou seja, as tais circunstâncias especiais são sempre únicas e, por isso, dificilmente previsíveis e muito menos programáveis.

Pedro Santana Lopes ganhou, sem dúvida surpreendentemente, as eleições de 2001, apenas com os votos do seu partido contra uma coligação da esquerda. Para o efeito, teve a seu favor várias circunstâncias favoráveis. Por um lado, concorreu contra um adversário (João Soares) relativamente fraco, que não tem as qualidades políticas de António Costa e se encontrava mais desgastado do que este pelo exercício do cargo. Depois, beneficiou da imagem positiva que granjeou como presidente da Câmara da Figueira da Foz. Finalmente, realizou uma campanha eleitoral dinâmica e prolongada. Pelo contrário, nas eleições de 2009, Pedro Santana Lopes teve à sua espera circunstâncias desfavoráveis, que dificilmente poderia ter ultrapassado com êxito. Antes de mais. concorreu contra um candidato mais difícil, mais coriáceo, mais preparado, mestre da manha política, que pode ter sido subestimado. Além disso, teve de suportar o fardo de uma imagem desgastada pelo modo como saiu e reentrou na Câmara Municipal, pelas circunstâncias que rodearam em 2005 a sua demissão como Primeiro-Ministro e pela crise em que se encontra o PSD. Finalmente, fez uma pré-campanha mais curta do que António Costa e não levou a cabo uma campanha eleitoral com o nível da de 2001. Conclusão: em política as coisas são como são e o que tem que ser tem muita força.