terça-feira, 10 de novembro de 2009

O CONFLITO ISRAELO-PALESTINIANO - V

Os erros da comunidade internacional. Depois do que foi referido aqui, aqui, aqui e aqui, cabe perguntar o que se pode esperar no futuro. As perspectivas parecem sombrias. Por um lado, tanto israelitas como palestinianos argumentam com os erros cometidos pela outra parte, responsabilizando-se mutuamente por isso, o que só reforça o bloqueio negocial. Por outro lado, há excesso de pragmatismo, prudência a mais e algum cinismo por par6e dos Estados Unidos e da União Europeia, que se habituaram a uma retórica repetitiva, com declarações sem inovação nem consequências, ao mesmo tempo que parecem mais espectadores do que interventores no processo, o que favorece o imobilismo. Tudo isto constitui um erro manifesto. No fundo, trata-se de uma atitude bastante parecida com a adoptada em relação ao problema de Chipre (ver aqui), cuja solução também se encontra praticamente congelada.

O erro fundamental dos Estados Unidos, única potência com efectiva capacidade para influenciar de modo eficaz a resolução do conflito, decorre da ficção de que devem ser privilegiadas as negociações directas entre israelitas e palestinianos. Ora, sabemos que há uma responsabilidade histórica da comunidade internacional, dados os fracassos verificados, tanto no projecto da ONU de partilha da Palestina, como nos Acordos de Oslo, apadrinhados pelos Estados Unidos. Por outro lado, não existe igualdade negocial entre Israel, que é um estado independente, com uma economia forte e forças armadas poderosas, e a Autoridade Palestiniana, que não possui nenhum destes atributos e cujo território se encontra em grande parte sob ocupação militar israelita. Parece evidente que, por uma questão de equidade, estas profundas desigualdades negociais devem ser compensadas através de uma activa intervenção e de um forte empenhamento da comunidade internacional, numa base de negociações trilaterais sustentadas. Foi deste modo que puderam ser satisfatoriamente resolvidos os problemas mais difíceis (os da Macedónia e da Bósnia-Herzegovina) decorrentes da desintegração da antiga Jugoslávia.

No fundo, o que não pode deixar de ser inquietante, fica a pairar no ar a suspeita de que, tal como a relação privilegiada dos Estados Unidos com a Turquia não tem permitido a resolução do caso de Chipre, também a relação muito especial mantida com Israel, embora por razões diferentes, tem inviabilizado de forma muito séria o desenvolvimento e a conclusão do processo de paz. Também aqui parece haver algumas «faces ocultas», cuja verdadeira natureza não conhecemos.