sexta-feira, 27 de novembro de 2009

UMA VIA PARA VENCER A CRISE

É agora, que o Governo tem necessidade de obter a aprovação de um orçamento rectificativo para o corrente ano, que começam a ser conhecidos os indicadores, cuidadosamente escondidos durante meses, com grave prejuízo para a informação a que os cidadãos têm direito (ver aqui), que mostram como é ampla e profunda, mesmo bastante grave, a situação económica e financeira do país. Não podemos ser ingénuos e olhar para o lado, só porque temos receio de parecer pessimistas. A economia encontra-se num ponto de bloqueio, com índices negativos, de uma dimensão nunca antes vista, em todos os aspectos relevantes: no défice das contas públicas, na dívida pública, no défice externo, no produto interno bruto, na dívida dos particulares e no desemprego. Parece impossível ou, pelo menos, será muito insensato e contraproducente, tentar resolver os problemas através do aumento dos impostos, de que alguns economistas tecnocratas já falam, com voz manifestamente agoirenta.

Afigura-se que o caminho deve ser outro. Não podemos colocar mais dinheiro, o nosso dinheiro, nas mãos dos políticos, pois eles têm dado provas de serem insensíveis ao esforço financeiro dos cidadãos, dada a sua predisposição para serem perdulários, não terem freio para os gastos excessivos e para o desperdício de recursos (ver aqui). A solução tem de ser encontrada através de uma verdadeira mobilização dos portugueses, que devem sentir-se envolvidos num processo de emergência colectiva. Esse esforço nacional de todos e de cada um dos cidadãos deve visar dois objectivos. Por um lado, é indispensável contribuir para reduzir a despesa pública, quer exigindo ao Estado medidas efectivas e drásticas de contenção dos encargos, quer realizando milhões de pequenas poupanças individuais, que cada um pode e deve fazer no dia a dia. Por outro lado, é necessário contribuir para o aumento da produtividade, como ponto de partida para o incremento da produção, das exportações e do rendimento nacional.

Ao assumir assim as suas responsabilidades, cada cidadão deve procurar fazer mais e melhor aquilo que já tem de fazer no seu dia a dia. Como é o nosso futuro colectivo que está em causa, se não queremos que o país entre num declínio irreversível, isto significa que todos se devem sentir envolvidos neste esforço à escala nacional: os políticos, que têm a maior fatia de responsabilidade, porque exercem o poder e têm gerido mal os recursos do país; os juristas, os magistrados e os funcionários de justiça, porque deles depende a eficácia do direito; os empresários e os trabalhadores, pois constituem o núcleo fundamental da actividade produtiva; os professores e alunos, uma vez que o saber é a base do desenvolvimento; os responsáveis pelas actividades financeiras, pois podem ser travões ou aceleradores do processo produtivo; os elementos das forças de segurança, pois são os garantes da confiança dos cidadãos; os agentes dos serviços sociais e de saúde, pois depende deles a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos; finalmente, os próprios reformados e aposentados não podem considerar-se excluídos deste contributo, já que a sua experiência de vida lhes pode proporcionar muitas formas, pequenas que sejam, de intervenção cívica.