Face à gravíssima crise económica que o país atravessa, mais profunda e duradoura do que a maioria
dos portugueses suspeita, afigura-se que a chave para a recuperação deverá estar na expansão e no fortalecimento do tecido empresarial constituído por empresas privadas. É assim fundamental apostar no aumento do sector industrial com capacidade de exportação, diminuindo ou removendo numerosos obstáculos, jurídicos (complexidade da legislação), administrativos (lentidão dos procedimentos e burocracia), fiscais (insuficiência de bonificações objectivamente definidas) e financeiros (dívidas do Estado pagas tardiamente e regime do IVA), que dificultam a acção das empresas. Nesta perspectiva, pareceria indicado que o Ministro da Economia fosse um homem do sector empresarial ou que, pelo menos, o conhecesse muito bem e fosse ao mesmo tempo um sincero adepto da economia de mercado e da iniciativa privada. Ora, quando da constituição do II Governo de José Sócrates passou relativamente despercebido o facto surpreendente de ter transitado para esta pasta o anterior titular do Trabalho e da Solidariedade Social. Parece que objectivamente se trata de um acto falhado, do ponto de vista dos intesses das empresas e do país.
dos portugueses suspeita, afigura-se que a chave para a recuperação deverá estar na expansão e no fortalecimento do tecido empresarial constituído por empresas privadas. É assim fundamental apostar no aumento do sector industrial com capacidade de exportação, diminuindo ou removendo numerosos obstáculos, jurídicos (complexidade da legislação), administrativos (lentidão dos procedimentos e burocracia), fiscais (insuficiência de bonificações objectivamente definidas) e financeiros (dívidas do Estado pagas tardiamente e regime do IVA), que dificultam a acção das empresas. Nesta perspectiva, pareceria indicado que o Ministro da Economia fosse um homem do sector empresarial ou que, pelo menos, o conhecesse muito bem e fosse ao mesmo tempo um sincero adepto da economia de mercado e da iniciativa privada. Ora, quando da constituição do II Governo de José Sócrates passou relativamente despercebido o facto surpreendente de ter transitado para esta pasta o anterior titular do Trabalho e da Solidariedade Social. Parece que objectivamente se trata de um acto falhado, do ponto de vista dos intesses das empresas e do país.Na verdade, o Ministro Vieira da Silva é conhecido pela sua ligação aos sectores do PS que, em termos culturais e ideológicos, maximizam o papel do Estado na sociedade e na economia. São defensores de múltiplas formas de intervenção do Estado, como se o Governo fosse o «Grande Patrão» das empresas (foi essa claramente a prática e a mensagem do anterior Ministro Manuel Pinho), e têm uma visão reticente ou, pelo menos, paternalista do papel da sociedade civil, da livre iniciativa, da concorrência e da capacidade de afirmação dos empreendedores. Ainda há dias o Ministro falou da criação de um fundo para a internacionalização das pequenas e médias empresas (um nome pomposo para referir a exportação), o que significa que pretende recorrer à velha, conhecida e gasta receita de dar subsídios. Ora, os subsídios, mesmo que os critérios de atribuição estejam definidos com rigor, o que é duvidoso, sabendo como as nossas leis são muitas vezes de má qualidade, têm de ser requeridos, isto é, pedidos. Por esse motivo, as empresas tornam-se tecnicamente «pedintes». Mas o Governo gosta de manter as empresas e as pessoas na dependência do dinheiro que o Estado proporciona. Trata-se de uma opção política muito clara, pois o Governo tem evidenciado que prefere o controlo político sobre a sociedade, a economia e as empresas, ao seu efectivo desenvolvimento fora do manto diáfano da «protecção» pública. Como se disse noutro lugar, é a terrível tentação das nacionalizações disfarçadas.