Foi v
isível que perpassou pelos comentadores políticos e pelos meios de comunicação social uma forte brisa, muito crítica, de sentido politicamente correcto, ao serem conhecidas as personalidades escolhidas para os novos cargos da União Europeia criados pelo Tratado de Lisboa, o de Presidente do Conselho Europeu (o Primeiro-Ministro belga Herman Van Rompuy) e o de Alto Representante para a Política Externa (a britânica Catherine Ashton, Comissária do Comércio). Falou-se, assim, entre outras expressões mais fortes, algumas mesmo contundentes, em desilusão e frustração, porque tinham sido vaticinados «nomes fortes», muito conhecidos mediaticamente, que não foram escolhidos.
isível que perpassou pelos comentadores políticos e pelos meios de comunicação social uma forte brisa, muito crítica, de sentido politicamente correcto, ao serem conhecidas as personalidades escolhidas para os novos cargos da União Europeia criados pelo Tratado de Lisboa, o de Presidente do Conselho Europeu (o Primeiro-Ministro belga Herman Van Rompuy) e o de Alto Representante para a Política Externa (a britânica Catherine Ashton, Comissária do Comércio). Falou-se, assim, entre outras expressões mais fortes, algumas mesmo contundentes, em desilusão e frustração, porque tinham sido vaticinados «nomes fortes», muito conhecidos mediaticamente, que não foram escolhidos.Foi até possível ouvir o extraordinário argumento de que, face a estas escolhas, não seria natural que o Presidente Obama telefonasse directamente a Van Rompuy, pois continuaria, como até aqui, a falar com os grandes líderes nacionais europeus (Merkel, Sarkozy e Brown). Ora, é possível que isso aconteça, de facto, mas por uma razão completamente diferente. A União Europeia não é um país, nem uma federação de estados, nem seq
uer uma confederação, mas uma comunidade de países independentes, embora fortemente ligados por laços políticos, jurídicos, económicos e financeiros. Por isso, os poderes do Presidente do Conselho Europeu reflectem esta realidade, são específicos e devem ser vistos nos precisos termos do Tratado. Foi também dito, em manifesto tom depreciativo, que este Presidente não passaria de um mero coordenador das reuniões do Conselho Europeu, como se na política a coordenação, tanto horizontal, como vertical, não fosse uma tarefa absolutamente fundamental, mas difícil e exigente, que não está ao alcance de qualquer um. Sabemos bem que a maior parte dos erros políticos e de governação cometidos têm resultado precisamente de falhas de coordenação.
uer uma confederação, mas uma comunidade de países independentes, embora fortemente ligados por laços políticos, jurídicos, económicos e financeiros. Por isso, os poderes do Presidente do Conselho Europeu reflectem esta realidade, são específicos e devem ser vistos nos precisos termos do Tratado. Foi também dito, em manifesto tom depreciativo, que este Presidente não passaria de um mero coordenador das reuniões do Conselho Europeu, como se na política a coordenação, tanto horizontal, como vertical, não fosse uma tarefa absolutamente fundamental, mas difícil e exigente, que não está ao alcance de qualquer um. Sabemos bem que a maior parte dos erros políticos e de governação cometidos têm resultado precisamente de falhas de coordenação. Ao mesmo tempo que, de forma desdenhosa, faziam estes e outros comentários depreciativos, os comentadores cometeram ainda algumas omissões importantes, que constituem outras tantas injustiças para os novos responsáveis comunitários. Por um lado, foram sistematicamente desva
lorizados os respectivos currículos, que no caso de Van Rompuy é de grande qualidade. Por outro lado, o que é inadmissível, não se procurou conhecer melhor as suas personalidades, as suas qualidades pessoais, a sua cultura e preparação e os seus estilos de actuação política. Ou seja, aplicou-se o princípio simplista, tão em voga actualmente, de que quem não é mediático vale pouco. Finalmente, foram feitos antecipadamente juízos de valor gratuitos sobre a possível acção futura dos novos responsáveis, que ainda nem sequer iniciaram o exercício da suas funções. Ou seja, foi-lhes negado o benefício da dúvida. De tudo isto fica uma conclusão: a vasta operação mediática lançada persistentemente durante meses, em vários países, a favor da candidatura de Tony Blair, esse grande mediático, falhou em toda a linha. O poder mediático perdeu a sua aposta.
lorizados os respectivos currículos, que no caso de Van Rompuy é de grande qualidade. Por outro lado, o que é inadmissível, não se procurou conhecer melhor as suas personalidades, as suas qualidades pessoais, a sua cultura e preparação e os seus estilos de actuação política. Ou seja, aplicou-se o princípio simplista, tão em voga actualmente, de que quem não é mediático vale pouco. Finalmente, foram feitos antecipadamente juízos de valor gratuitos sobre a possível acção futura dos novos responsáveis, que ainda nem sequer iniciaram o exercício da suas funções. Ou seja, foi-lhes negado o benefício da dúvida. De tudo isto fica uma conclusão: a vasta operação mediática lançada persistentemente durante meses, em vários países, a favor da candidatura de Tony Blair, esse grande mediático, falhou em toda a linha. O poder mediático perdeu a sua aposta.