Os erros históricos actuais. Na sequência do que foi referido aqui, aqui e aqui, parecem mais claras as razões por que se chegou à actual situação, verdadeiramente absurda, em que se encontram
israelitas e palestinianos. Antes de mais, existem actualmente no território quatro entidades políticas diferentes, o que constitui um erro manifesto: Israel, único estado reconhecido no domínio internacional e membro da ONU; a parte, aliás fragmentada, da Cisjordânia administrada directamente pela Autoridade Palestiniana; a parte da Cisjordânia que, em regime de ocupação militar, é administrada por Israel; a faixa de Gaza que, embora formalmente dependente daquela Autoridade, é, de facto, desde há dois anos, administrada apenas pela organização político-militar Hamas.
israelitas e palestinianos. Antes de mais, existem actualmente no território quatro entidades políticas diferentes, o que constitui um erro manifesto: Israel, único estado reconhecido no domínio internacional e membro da ONU; a parte, aliás fragmentada, da Cisjordânia administrada directamente pela Autoridade Palestiniana; a parte da Cisjordânia que, em regime de ocupação militar, é administrada por Israel; a faixa de Gaza que, embora formalmente dependente daquela Autoridade, é, de facto, desde há dois anos, administrada apenas pela organização político-militar Hamas. Além disso, o que constitui outro erro enorme, não há fronteiras internacionalmente reconhecidas, até pela circunstância de haver de facto três fronteiras: a fronteira (linha verde), pretendida pelos países árabes, correspondente à linha do armistício existente antes da guerra de 1967, a que também se referem as resoluções da ONU; a fronteira desejada pelos s
ectores nacionalistas de Israel partidários do Grande Israel, que coincide com a totalidade da Palestina; finalmente, a fronteira que eventualmente Israel desejará estabelecer em acordo de paz e que se situará algures entre aquelas duas fronteiras, de modo a abranger os colonatos. Incluído nesta complexa, intrincada e irracional questão de fronteiras está ainda o explosivo problema da partilha de soberania da cidade de Jerusalém, além de outras questões, como as relacionadas com o estatuto jurídico dos palestinianos, o alto muro de defesa que Israel entretanto construiu e os controlos rodoviários que afectam a liberdade de circulação dos palestinianos e dificultam o desenvolvimento da sua economia.
ectores nacionalistas de Israel partidários do Grande Israel, que coincide com a totalidade da Palestina; finalmente, a fronteira que eventualmente Israel desejará estabelecer em acordo de paz e que se situará algures entre aquelas duas fronteiras, de modo a abranger os colonatos. Incluído nesta complexa, intrincada e irracional questão de fronteiras está ainda o explosivo problema da partilha de soberania da cidade de Jerusalém, além de outras questões, como as relacionadas com o estatuto jurídico dos palestinianos, o alto muro de defesa que Israel entretanto construiu e os controlos rodoviários que afectam a liberdade de circulação dos palestinianos e dificultam o desenvolvimento da sua economia.Dada a natureza provisória e absurda do actual «status quo», cuja manutenção há dezenas de anos é, em si mesma, um erro muito grave, é praticamente consensual que só há duas soluções para os dois povos que vivem na antiga Palestina, ou seja, a criação de um único estado binacional ou a criação
de dois estados. Se a história recente dos dois povos e as suas profundas diferenças culturais não recomendam a primeira solução, a situação demográfica (actual e previsível no futuro) parece impedi-la. Com efeito, nas fronteiras da linha verde de 1967 residem actualmente 7,5 milhões de cidadãos israelitas, dos quais 1,5 milhões são árabes, enquanto na Cisjordânia vivem 2,2 milhões de palestinianos e (em colonatos) 0,4 milhões de israelitas e na Faixa de Gaza cerca de 1,5 milhões de palestinianos. Resta, por isso, a solução dos dois estados, que também está mais de acordo com o princípio geral do direito dos povos à autodeterminação. Dois estados, porém, com que fronteiras e com que estatuto jurídico internacional? É este o desafio a que a incapacidade, o oportunismo e o cinismo dos dirigentes políticos responsáveis não tem permitido responder.
de dois estados. Se a história recente dos dois povos e as suas profundas diferenças culturais não recomendam a primeira solução, a situação demográfica (actual e previsível no futuro) parece impedi-la. Com efeito, nas fronteiras da linha verde de 1967 residem actualmente 7,5 milhões de cidadãos israelitas, dos quais 1,5 milhões são árabes, enquanto na Cisjordânia vivem 2,2 milhões de palestinianos e (em colonatos) 0,4 milhões de israelitas e na Faixa de Gaza cerca de 1,5 milhões de palestinianos. Resta, por isso, a solução dos dois estados, que também está mais de acordo com o princípio geral do direito dos povos à autodeterminação. Dois estados, porém, com que fronteiras e com que estatuto jurídico internacional? É este o desafio a que a incapacidade, o oportunismo e o cinismo dos dirigentes políticos responsáveis não tem permitido responder.