segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O PODER - AMIGO DO HOMEM, INIMIGO DO HOMEM

Os problemas que sabemos existirem na sociedade, na política e na economia têm naturalmente causas complexas e diversificadas, sobre algumas das quais, de resto, nem sempre há suficiente consenso. No entanto, quando perscrutamos com mais atenção o âmago desses problemas somos levados a concluir que o factor humano é fundamental e nele tem um papel essencial o modo como é exercido o poder, a vários níveis e em todos os sectores, tanto públicos, como privados. O exercício do poder, isto é, o facto de se dispor de comando sobre outros homens, é fundamental para o desenvolvimento colectivo, já que dele depende o bom funcionamento das instituições humanas, por muito pouco hierarquizadas que sejam as suas estruturas.

O comando das pessoas e a possibilidade de decidir sobre os recursos, materiais e financeiros, disponíveis, permite accionar todos os processos de desenvolvimento: criar e gerir organizações; estabelecer normas obrigatórias em regulamentos; exercer, pela persuasão, a actividade pedagógica tendente à melhoria da qualidade humana dos agentes; planear e executar acções transformadoras susceptíveis de garantir a mais valia em que se exprime o progresso e a melhoria das condições de vida. Deste modo, quando há bons comandos os efeitos benéficos fazem-se sentir e isso permitir distinguir e comparar os níveis de desenvolvimento alcançados. Tem aqui plena aplicação o princípio de que «o forte rei faz forte a fraca gente».

No entanto, o exercício do poder é sempre feito, por assim dizer, no fio da navalha, isto é, corre permanentemente o perigo de ser desvirtuado ou pervertido, o que acontece pelo seu mau uso. Um tal desvio verifica-se umas vezes por incompetência, devido a impreparação dos agentes para as respectivas funções, o que caracteriza a situação típica do «homem errado no lugar errado», designadamente quando a escolha dos responsáveis é feita por razões não objectivas, como a simples amizade pessoal, as afinidades ideológicas ou o companheirismo político-partidário. Noutros casos, o mau uso do poder, que ocorre mais facilmente e com mais gravidade quando há incompetência dos agentes, resulta do excesso de uso do mesmo poder, como acontece nas situações, tão frequentes na acção política e na administração pública, de prepotência e de abuso de poder.