No dia 6 de Janeiro a comunicação social noticiou duas situações que representam bem de que modo estão por vezes distorcidas, porventura mesmo postas às avessas, as prioridades das políticas governamentais e a correspondente afectação de recursos financeiros, quando tais políticas são dominadas pela vertigem de uma certa perspectiva de modernidade a todo o custo, enquadradas por uma cultura política tecnocrática, sem uma visão humanista, feita de equilíbrio, sensibilidade e bom senso, das reais necessidades individuais e colectivas dos portugueses. Os factos falam por si, pelo que não parecem necessários quaisquer comentários.
A primeira situação noticiada (aqui) diz respeito ao relatório que o coordenador nacional para as doenças oncológicas, Pedro Pimentel, apresentou no Parlamento. O documento, no qual se propõe um plano nacional para a reorg
anização dos serviços de oncologia dos hospitais, deu origem a um debate muito elucidativo. Com efeito, da discussão efectuada resultaram duas informações que devem considerar-se alarmantes, porque são graves e revelam uma injustiça objectiva de que sofrem os doentes oncológicos. A primeira informação salientou o facto de faltarem no país equipamentos de radioterapia, pois existem 39 quando uma boa cobertura da população exigiria 66 (quase o dobro). A segunda informação sublinhou o facto de o sector de tratamento das doenças oncológicas estar muito subfinanciado. De facto, no tratamento do cancro Portugal gasta anualmente 53,3 euros per capita, muito longe da Holanda (92 euros), da França (124 euros) e do Reino Unido (192 euros). Na União Europeia (27 países), abaixo de Portugal apenas se encontram a República Checa (50 euros), a Hungria (49 euros) e a Polónia (30 euros). É indiscutivelmente uma situação lamentável.
anização dos serviços de oncologia dos hospitais, deu origem a um debate muito elucidativo. Com efeito, da discussão efectuada resultaram duas informações que devem considerar-se alarmantes, porque são graves e revelam uma injustiça objectiva de que sofrem os doentes oncológicos. A primeira informação salientou o facto de faltarem no país equipamentos de radioterapia, pois existem 39 quando uma boa cobertura da população exigiria 66 (quase o dobro). A segunda informação sublinhou o facto de o sector de tratamento das doenças oncológicas estar muito subfinanciado. De facto, no tratamento do cancro Portugal gasta anualmente 53,3 euros per capita, muito longe da Holanda (92 euros), da França (124 euros) e do Reino Unido (192 euros). Na União Europeia (27 países), abaixo de Portugal apenas se encontram a República Checa (50 euros), a Hungria (49 euros) e a Polónia (30 euros). É indiscutivelmente uma situação lamentável.A segunda situação noticiada (aqui) diz respeito à excelente posição de Portug
al, em todo o mundo, em matéria de produção de energia renovável a partir de equipamentos eólicos. De facto, por cada 100 watt de electricidade consumidos em 2008 nos lares portugueses, 15,03 watt vieram do vento, um valor que eleva o país do terceiro para o segundo lugar mundial no contributo da energia eólica para as necessidades energéticas, apenas atrás da Dinamarca e à frente da Espanha. Porém, esta situação de vanguarda tecnológica não é motivo de honra, quando comparada com a situação humilhante em que o país se encontra no domínio do tratamento do cancro. Os nossos governantes só têm cérebro, não têm coração?
al, em todo o mundo, em matéria de produção de energia renovável a partir de equipamentos eólicos. De facto, por cada 100 watt de electricidade consumidos em 2008 nos lares portugueses, 15,03 watt vieram do vento, um valor que eleva o país do terceiro para o segundo lugar mundial no contributo da energia eólica para as necessidades energéticas, apenas atrás da Dinamarca e à frente da Espanha. Porém, esta situação de vanguarda tecnológica não é motivo de honra, quando comparada com a situação humilhante em que o país se encontra no domínio do tratamento do cancro. Os nossos governantes só têm cérebro, não têm coração?