quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

GOVERNAR É FAZER INAUGURAÇÕES? - I

A actividade de governação é hoje mais difícil do que nunca. Os problemas são mais intricados e complexos e encontram-se mais interligados. Por outro lado, a globalização obriga a ter uma perspectiva internacional a uma escala nunca vista. Finalmente, a crise económica e financeira, de natureza estrutural, em que o país se encontra mergulhado há vários anos, agravada pela crise internacional desencadeada em 2008, obriga a um esforço muito maior e a um cuidado extremo no estudo e na adopção de medidas de política e no acompanhamento da sua concretização, que é muitas vezes o calcanhar de Aquiles das políticas governamentais. O dia, porém, continua a ter as mesmas 24 horas, o que significa que para as actuais exigências de governação o tempo tende a ser cada vez mais escasso e mais difícil de gerir, pelo que tem de ser muito bem repartido, de acordo com as exigências e prioridades da acção governativa, em função dos interesses do país.

Perante esta dura e inapelável realidade, ficamos naturalmente confusos e perplexos quando observamos com que frequência, às vezes diária, os membros do Governo, a começar pelo Primeiro-Ministro, se deslocam pelo país fora para participarem em toda a espécie de eventos, mesmo os de menor importância, como tem acontecido, por exemplo, no lançamento da primeira pedra de um hospital ou outro equipamento, na inauguração de um simples troço de auto-estrada, na mera visita, já tantas vezes feita, a uma escola ou a um lar de idosos, e em coisas semelhantes, que são verdadeiras miudezas face à gravidade das necessidades do país. Com o inevitável dispêndio de tempo que estas acções menores implicam não ficará prejudicada a disponibilidade dos membros do Governo para se dedicarem de alma e coração, como é absolutamente necessário, às duríssimas exigências actuais da governação? Também para os políticos, por maioria de razão, é válido o princípio de que «tempo é dinheiro».