Como vimos antes, causou grande alvoroço mediático a possibilidade de descarregar da Internet para um iPod um conjunto de conteúdos que permitem a qualquer pessoa, em qualquer lugar, em qualquer momento, seja em que circunstância for, fazer as suas orações. Uma tal inovação tecnológica é certamente de louvar, mas devemos acautelar-nos para o facto de se tratar apenas de um instrumento, um intermediário, que facilita a oração, mas não constitui a oração em si mesma. Esta terá sempre de consistir numa comunicação directa e íntima entre duas pessoas, a pessoa do cristão que ora e Deus.Talvez se deva admitir que ao longo dos tempos os cristãos se habituarem, por vezes demasiado, a socorrer-se de instrumentos, fórmulas e textos predefinidos, quase sempre escritos por outros, para se dirigirem a Deus. Estas práticas podem ter originado um certo distanciamento dos cristãos em relação a Deus. Nesta perspectiva, Deus é considerado como estando «lá» (a própria expressão «nos céus» pode levar a isso), digamos, a uma certa distância, quando afinal, por força a sua omnipresença, Deus está sempre «cá», junto de todos e de cada um. «Ele está no meio de nós», dizemos várias vezes durante a missa. Esta ideia da presença permanente de Deus, da sua proximidade em relação aos homens, pode facilitar e estimular o diálogo e a comunicação directa, em que se traduz a oração.
A extrema proximidade de Deus significa também a sua total e permanente disponibilidade para nos ouvir. Por isso, mesmo sem o apoio de um iPod, podemos sempre orar em qualquer lugar, em qualquer momento, em qualquer circunstância, quer estejamos em viagem, quer aguardemos num consultório médico ou num serviço público, até mesmo quando vemos televisão ou falamos com um amigo ou um familiar. Deus está sempre ao nosso alcance, pelo que não custa nada dirigirmo-nos a Ele, como a um bom Amigo, ao melhor Amigo que se pode ter, de quem se pode esperar, em quem se pode confiar e a quem se pode recorrer.