Em
certos meios políticos, empresariais e da comunicação social tem sido visível nos últimos tempos um conjunto de atitudes que, embora enquadradas, de forma bem intencionada, numa perspectiva de pragmatismo e de apaziguamento político-social, numa altura em que o país atravessa grandes dificuldades, correm o risco de serem contraproducentes e de originarem novos problemas no funcionamento da democracia. Estas atitudes partem daquilo que é inteiramente óbvio (o Partido socialista ganhou as eleições legislativas de Setembro de 2009 e deve governar), completamente evidente (o PS não pode governar sozinho, por dispor apenas de maioria relativa) e absolutamente necessário (o país precisa de governabilidade).
certos meios políticos, empresariais e da comunicação social tem sido visível nos últimos tempos um conjunto de atitudes que, embora enquadradas, de forma bem intencionada, numa perspectiva de pragmatismo e de apaziguamento político-social, numa altura em que o país atravessa grandes dificuldades, correm o risco de serem contraproducentes e de originarem novos problemas no funcionamento da democracia. Estas atitudes partem daquilo que é inteiramente óbvio (o Partido socialista ganhou as eleições legislativas de Setembro de 2009 e deve governar), completamente evidente (o PS não pode governar sozinho, por dispor apenas de maioria relativa) e absolutamente necessário (o país precisa de governabilidade).No entanto, tais comentadores maximizam este último pressuposto, o da necessidade de governabilidade, e com isso constroem um falso silogismo: o PS tem
o direito de governar e não tem maioria; no entanto, o país está em grande crise; logo, os partidos da oposição devem facilitar a governação. Como é evidente, a conclusão silogística não está adequada às premissas, pelo que é possível tirar uma conclusão diferente e alternativa: logo, o PS deve tentar e facilitar a obtenção de consensos partidários para a governação. De facto, compete ao PS tomar a iniciativa de dialogar com os partidos da oposição e tentar encontrar uma base razoável para um acordo político sustentado. O PS não escolheu nenhum partido com o qual pudesse dialogar de forma preferencial e é impossível fazê-lo com todos de forma séria e responsável.
o direito de governar e não tem maioria; no entanto, o país está em grande crise; logo, os partidos da oposição devem facilitar a governação. Como é evidente, a conclusão silogística não está adequada às premissas, pelo que é possível tirar uma conclusão diferente e alternativa: logo, o PS deve tentar e facilitar a obtenção de consensos partidários para a governação. De facto, compete ao PS tomar a iniciativa de dialogar com os partidos da oposição e tentar encontrar uma base razoável para um acordo político sustentado. O PS não escolheu nenhum partido com o qual pudesse dialogar de forma preferencial e é impossível fazê-lo com todos de forma séria e responsável.Já vimos o que passou com o Orçamento do Estado e está a acontecer com o Plano de Estabilidade e Crescimento, que Portugal deve apresentar à União Europeia muito em breve. O PS tenta falar com os partidos sobre documentos que ele previamente elaborou sozinho, o que torna as coisas mais difíceis. Pelo contrário, tais documentos só deveriam ter sido redigidos depois de conduzidas as negociações e estabelecidas as bases de um acordo.
A dificuldade de o Partido Socialista actuar de modo diferente tem que ver com dois aspectos fundamentais, ambos negativos, da actual conjuntura política: por um lado, continuam a prevalecer a cultura e a prática políticas desenvolvidas durante a anterior legislativa, em que o PS governou com maioria absoluta e de forma arrogante e autoritária; por outro lado, confundem-se duas realidades políticas dissemelhantes. De facto, uma coisa é falar, em geral, com todos os partidos, o que é próprio da convivência democrática, outra coisa, muito diferente, é negociar, o que implica falar, em especial, com este ou aquele partido, na perspectiva de um acordo sério e viável de governação.