sábado, 27 de março de 2010

A ELEIÇÃO DO PRESIDENTE DO PSD

Na eleição directa ontem realizada para a presidência do Partido Social Democrata que, não obstante a sua designação, integra o Partido Popular Europeu, os mais de 42 mil eleitores tiveram o bom senso de eleger, logo à primeira volta, Pedro Passos Coelho, com um expressivo e inesperado resultado de 61% dos votos. Foi assim contornada da melhor maneira a insensata lacuna dos estatutos do partido, que não prevêem a eleição directa a duas voltas, o que pode levar a que, como aconteceu na eleição de 2008, o líder seja eleito com menos de 40% dos votos, o que inevitavelmente o fragiliza logo à partida.

Não era esta a minha escolha pessoal, pois sempre considerei que Paulo Rangel, que obteve uns escassos 34% dos sufrágios, tem um discurso político mais sólido, estruturado e criativo. No entanto, pode compreender-se sem dificuldade a opção tão fortemente maioritária dos militantes. Por um lado, foram sensíveis ao discurso mais suave, porventura mais terno, menos marcado e acutilante, do vencedor. Por outro lado, quiseram premiar a antiguidade de Passos Coelho, que é militante do partido há trinta anos, enquanto Rangel o é apenas há cinco anos, bem como o maior tempo de «trabalho de casa», de preparação da liderança, já que Passos Coelho era candidato à presidência do partido desde 2008, enquanto Rangel se apresentou, aliás de forma súbita, há apenas uns escassos dois meses. O tempo ajuda manifestamente a consolidar a notoriedade e a interiorizar as opções.

José-Pedro Aguiar Branco merece uma palavra de simpatia, pois os seus insignificantes 3% dos votos são objectivamente injustos para o valor pessoal e político deste advogado, que foi Ministro da Justiça e desempenhou até agora o cargo de líder do grupo parlamentar. Se é verdade que foi vítima da bipolarização eleitoral entre Passos Coelho e Rangel, não deve esquecer-se o facto de que a sua candidatura constituiu um acto falhado, pois aquela bipolarização era bastante previsível. Tinham inteira razão os amigos que procuraram dissuadi-lo de se candidatar e que após a consumação da candidatura tentaram ainda que não a levasse até ao fim. Não pode negar-se que objectivamente prejudicou a candidatura de Paulo Rangel, embora não ao ponto de impedir a eleição de Pedro Passos Coelho, que estava há muito anunciada, dada a amplitude da maioria por ele obtida.