quinta-feira, 4 de março de 2010

OS DESASTRES NATURAIS E AS SUAS MENSAGENS

Tem sido dolorosamente impressionante a sucessão de desastres naturais, como terramotos, furacões, tempestades de neve e inundações, entre outras calamidades, com elevado nível de gravidade, de destruição e de vítimas. Quase se diria que a natureza está «zangada» com a humanidade e pode haver razões para isso. Os piores efeitos produzidos verificam-se directamente nos seres humanos e nas suas realizações (edificações, vias de transporte e explorações agrícolas, industriais e comerciais). Parece assim haver uma certa correlação entre os desastres naturais e a actividade humana de ocupação, exploração e transformação do território, mesmo com o recurso a tecnologias que permitem melhor conhecimento da natureza e mais rigoroso planeamento das actividades realizadas. Tal correlação atinge níveis críticos quando se situa na fronteira dos limites de risco e estes são ignorados.

O homem, com toda a sua actual capacidade científica, tecnológica e material pode estar a sofrer os efeitos de um certo orgulho e autoconvencimento no seu contacto com a natureza, dada a sua aparente capacidade, que por vezes parece ilimitada, para a controlar, dominar e transformar. Isso leva-o a correr riscos desnecessários, a ser negligente e imprudente, a menosprezar o facto de que a natureza possui regras e também também tem limites, que devem ser respeitados, também tem exigências e necessidades. Por isso, quando o curso dos elementos naturais é alterado arbitrariamente ou condicionado pela força humana, a resposta ou a «vingança», se assim se pode dizer, da natureza pode ser implacável e ter consequências catastróficas, com incalculáveis prejuízos materiais e inúmeros sofrimentos humanos.

Por outro lado, temos a tendência para pensar que as catástrofes naturais só acontecem aos outros, apenas ocorrem noutros países, pelo que não sabemos tirar as devidas lições dos acidentes, de modo a respeitar os limites da natureza e usar os meios de prevenção e de protecção adequados em todas as obras humanas: na edificação de habitações e de instalações industriais, na regularização de cursos de água, na construção de portos, aeroportos e vias de comunicações, na alteração dos espaços florestais e em muitas outras iniciativas em que, de uma forma ou de outra, consciente ou inconscientemente, podemos agredir a natureza e desrespeitar a suas leis próprias. Por isso, é preciso mudar de paradigma: temos que nos habituar a compreender e a respeitar a natureza e, desse modo, entender as suas mensagens.