O q
ue há de pior e de mais deletério na acção política é o jogo de enganos do discurso, é a incapacidade de os responsáveis políticos conviverem de forma sadia e frontal com a verdade dos factos, sem subterfúgios, sem circunlóquios, sem meias verdades, sem fingimentos, sem manipulação, grosseira ou sofisticada, dos indicadores económicos e financeiros, sem ocultação das verdadeiras intenções governamentais, sem distorção das medidas de política que porventura seja necessário tomar. Os cidadãos, enquanto eleitores, são pessoas adultas e minimamente informadas, não são estúpidos, nem vivem com a cabeça enterrada na areia. Procuram ser responsáveis e cumprir os seus deveres cívicos. Por isso, não aceitam ser manipulados nem enganados ou manobrados com falinhas mansas, sorrisos de ocasião, gestos teatrais ou afirmações desfasadas da realidade.
ue há de pior e de mais deletério na acção política é o jogo de enganos do discurso, é a incapacidade de os responsáveis políticos conviverem de forma sadia e frontal com a verdade dos factos, sem subterfúgios, sem circunlóquios, sem meias verdades, sem fingimentos, sem manipulação, grosseira ou sofisticada, dos indicadores económicos e financeiros, sem ocultação das verdadeiras intenções governamentais, sem distorção das medidas de política que porventura seja necessário tomar. Os cidadãos, enquanto eleitores, são pessoas adultas e minimamente informadas, não são estúpidos, nem vivem com a cabeça enterrada na areia. Procuram ser responsáveis e cumprir os seus deveres cívicos. Por isso, não aceitam ser manipulados nem enganados ou manobrados com falinhas mansas, sorrisos de ocasião, gestos teatrais ou afirmações desfasadas da realidade.Todos nós ouvimos o Primeiro-Ministro dizer inúmeras vezes, repetindo-se até à exaustão, que o ataque à crise económica e financeira em que o país se encontra atolado não implicaria qualquer aumento de impostos. Nisso foi categórico, assertivo, explícito e insistente, não obstante as afirmações em contrário da generalidade dos economistas e até das dúvidas do Governador do Banco de Portugal. Agora, ao apresentar o projecto de Plano de Estabilidade e Crescimento, que vai ser discutido em Bruxelas, o Governo prevê de facto o agravamento da carga fiscal dos cidadãos, sobretudo dos que constituem a classe média. Aliás, ainda estamos para ver se o documento final não será pior. O aumento tributário dá-se nas duas vertentes, tanto na directa, pela criação de mais um escalão do IRS, como sobretudo na indirecta (agravamento fiscal disfarçado), através, por exemplo, entre outras medidas, de fortes restrições nas despesas, como as de educação e de saúde, que podem provocar deduções na colecta do imposto, bem como da redução do valor da dedução específica dos pensionistas.
No fundo, as pessoas sensatas deste país sabiam, no seu íntimo, que seria praticamente impossível fugir ao agravamento da carga fiscal, face à calamitosa situação financeira do país, às baixas previsões de crescimento económico nos próxim
os anos e à permanência de reduzidos índices de produtividade. Mesmo os mais optimistas reconhecem que Portugal está efectivamente entalado. Porquê, então, esta fuga do Primeiro-Ministro às realidades, aliás de forma contumaz, pois continua a afirmar candidamente que «não há aumento de impostos»? Porquê toda esta encenação, fazendo crer uma coisa que ele sabia perfeitamente que não seria praticável? Por que motivo não foi dita a verdade desde o princípio? Por que razão os cidadãos deste país foram tratados desta maneira, sem consideração nem respeito pela sua inteligência e pelo seu sentido cívico? Que credibilidade terá, daqui para futuro, o discurso político de José Sócrates? Que futuro estará reservado a um país que vive numa floresta de enganos?
os anos e à permanência de reduzidos índices de produtividade. Mesmo os mais optimistas reconhecem que Portugal está efectivamente entalado. Porquê, então, esta fuga do Primeiro-Ministro às realidades, aliás de forma contumaz, pois continua a afirmar candidamente que «não há aumento de impostos»? Porquê toda esta encenação, fazendo crer uma coisa que ele sabia perfeitamente que não seria praticável? Por que motivo não foi dita a verdade desde o princípio? Por que razão os cidadãos deste país foram tratados desta maneira, sem consideração nem respeito pela sua inteligência e pelo seu sentido cívico? Que credibilidade terá, daqui para futuro, o discurso político de José Sócrates? Que futuro estará reservado a um país que vive numa floresta de enganos?