Recentemente alguma imprensa deu grande relevo àquilo que se poderia chamar uma «nova tecnologia para a oração». As referências dos jornais foram nalguns casos espampanantes. Um dos títulos das notícias era bastante apelativo: «Ele está no meio de nós. A palavra de Deus num iPod perto de si. É a Igreja dos tempos modernos». O projecto, ao que parece desenvolvido por jesuítas britânicos com a designação «pray as you go», foi agora introduzido em Portugal como «passo a rezar - leva contigo a tua oração» (ver http://www.passo-a-rezar.net/) e permite a qualquer pessoa rezar na Internet ou descarregar diariamente (de 2.ª a 6.ª feira) orações para o iPod e rezar em qualquer sítio, onde quer que esteja.Afinal, os contéudos disponibilizados, com a duração de dez minutos, embora referidos como «oração diária», são constituídos por trechos dos Evangelhos e comentários para meditação, tudo acompanhado de música de fundo apropriada. Por isso, em bom rigor, o que é fornecido são elementos que funcionam como base ou ponto de apoio para que cada um possa mais facilmente fazer a sua oração individual. De facto, a oração representa um acto simples e pessoal de comunicação do homem com Deus, mas para ser pessoal tem que ser algo intimamente assumido. Uma oração só o é se se traduzir na extravasão de palavras pessoais, sentidas como tais, como se fossem ditas pela primeira vez, como se fossem inspiradas naquele preciso momento.
Trata-se, por isso, no caso em apreço, de um instrumento, tecnologicamente evoluído e adequado ao nosso actual estilo de vida, de realizar aquilo que pode ser feito em qualquer momento e em qualquer lugar, sem o apoio em textos, formulários ou quaisquer outros instrumentos. Como se explicitará noutra reflexão, o essencial da oração está na comunicação gerada no interior de cada um, em que nos dirigimos a Deus como nos dirigimos a qualquer pessoa, dizendo o que efectivamente sentimos e pensamos, aquilo que nos preocupa e aquilo a que aspiramos.