Como recentemente foi salientado pela União Europeia, na sequência, aliás, de registos semelhantes de outras instâncias internacionais, a causa principal da crise económica estrutural com que o país se debate é o seu baixo índice de produtividade. Esta exprime, em termos técnicos, a relação entre uma certa quantidade de bens produzidos e a quantidade dos factores de produção (capital e força de trabalho) necessários para o efeito. Assim, basicamente a produtividade depende do grau de eficácia da gestão empresarial e do nível da rentabilidade laboral. Ora, todos sabemos que é diferente, para melhor, a eficácia dos portugueses que trabalham no estrangeiro, o que significa que são capazes de produzir mais e melhor quando inseridos em estruturas com outros níveis de organização de trabalho e de investimento empresarial. De facto, no ambiente nacional as coisas não se passam muitas vezes da mesma maneira. Porque será? As causas para esta situação parecem estar bem à vista. No dia a vida são claramente perceptíveis alguns defeitos estruturais, bastante generalizados e enraizados, do modo comum de actuar dos portugueses inseridos nas estruturas produtivas. Esses defeitos, tornados hábitos rotineiros, por pequenos que pareçam, reflectem-se inevitavelmente de forma negativa no contributo de cada um para a produtividade global da economia.
a) Por um lado, é deficiente, por falta de adequada motivação pessoal, a qualificação técnica e profissional para o desempenho de funções, não obstante a generalização do ensino e a abundância de esquemas de aprendizagem e de acções de formação profissional, estas com generosos apoios financeiros, há largos anos, por parte da União Europeia. De resto, em Portugal há pouca propensão para a autoformação, que costuma ser muito motivadora, e é igualmente limitado o empenhamento directo na valorização pessoal. b) Por outro lado, os portugueses, em geral, não são naturalmente bons em disciplina do trabalho, em métodos de actuação, bem como em pontualidade e, além disso, não dão a devida atenção aos pormenores, às pequenas coisas, que são fundamentais para se obter rigor e precisão na execução das tarefas, quaisquer que elas sejam. Deste modo, parece indiscutível ser necessário introduzir mudanças de comportamento nos nossos quotidianos. Veremos quais.