terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O GRAVE PROBLEMA DA PRODUTIVIDADE NACIONAL - II

Como se viu antes, o nível de produtividade nas actividades económicas depende muito dos comportamentos individuais, tanto de empresários, como de trabalhadores, pelo que o aumento da produtividade, absolutamente essencial para que o país saia da crise em que está mergulhado, constitui um problema que ultrapassa muito as possibilidades e as responsabilidades normais de qualquer governo. De facto, trata-se de um problema colectivo, da própria sociedade no seu conjunto, pelo que só é ultrapassável com uma significativa alteração das motivações e das atitudes dos gestores empresariais e dos trabalhadores, individualmente considerados. Não se chega lá apenas com medidas de política governamentais.

Trata-se assim de um problema de raiz cultural e sociológica, em que podem ter papel de relevo o sistema educativo, que reclama outra qualidade e eficácia, e a acção política, que implica um nível muito mais exigente de pessoal político. De certo modo, pode dizer-se que está na mão dos políticos, dos professores e dos estudantes a alteração dos factores que têm contribuído fortemente para o atraso verificado no nosso desenvolvimento colectivo. Como conseguir, porém, modificações de tão grande amplitude?

Está em causa introduzir a pouco e pouco, na rotina do dia a dia, hábitos diferentes daqueles que são comuns a muitos dos nossos concidadãos, como: maior gosto pessoal pelo trabalho desempenhado, pelo que ele representa em si e pelo que significa na comunidade; maior pontualidade no trabalho e melhor aproveitamento do tempo, que é por vezes desperdiçado (de facto, «tempo é dinheiro»); maior concentração e rigor na execução das tarefas; maior disciplina pessoal na inserção de cada um na respectiva organização de trabalho.

Dir-se-á que se trata de qualidades que não estão ao alcance de todos. De facto, para alguns essas qualidades são em grande parte inatas, o que, de qualquer modo, não os desobriga de as desenvolverem e reforçarem. A maioria, porém, tem que ser ensinada, nas famílias, nas escolas, nas empresas e nos serviços onde trabalham. É aqui, afinal, que está a nossa grande dificuldade: ensinar e aprender. Por isso, para sair do atraso, o país precisa de se mobilizar colectivamente para maximizar este binómio: cada um de nós pode sempre ensinar e cada um de nós deve estar sempre disponível para aprender.