sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

É TUDO UMA QUESTÃO DE CONFIANÇA

Ninguém de bom senso pode negar que o país se encontra numa situação difícil, já que a crise económica e financeira que, infelizmente, é estrutural, pelo que está para durar, se encontra associada a um estado geral de algum pessimismo do conjunto da população. Este sentimento colectivo negativo não é de certo saudável, porque traduz uma atitude geral de pouca confiança dos cidadãos, não só nos dirigentes políticos, mas porventura também, o que será mais grave, nas próprias instituições. Estamos praticamente enredados num círculo vicioso, pois os responsáveis políticos parecem pouco capazes de inverter a situação do país e, por outro lado, os cidadãos sentem-se inseridos numa sociedade pouco dinâmica, aparentemente passiva e resignada, em que a crença na sua capacidade de regeneração parece estar a esmorecer.

O modo como a governação se desenrola parece justificar os sentimentos de cepticismo dos cidadãos. De facto, assistimos com frequência a coisas de que não gostamos: somos inundados com o anúncio de medidas, mas muitas delas parecem votadas ao fracasso, afiguram-se pouco credíveis ou vêm a revelar-se ilusórias; há manifesto manobrismo e calculismo na acção política, em que a sinceridade não está muito presente; o discurso político usa uma linguagem que não parece a do comum dos cidadãos, pois se baseia muitas vezes num optimismo artificial, voluntarista, que não se adequa à realidade do nosso quotidiano.

Ora, a consolidação de um clima de confiança tem bastantes exigências: reclama a credibilidade da acção política, a qual implica a coerência entre o discurso e a prática; requer a segurança política, ou seja, que os cidadãos possam contar com os dirigentes políticos nos momentos difíceis; exige a garantia, isto é, podermos estar certos de que só são feitas promessas exequíveis e que as promessas apresentadas são cumpridas; pede a esperança, que se traduz no sentimento de que as expectativas dos cidadãos não serão defraudadas; finalmente, reivindica a verdade, isto é, que os responsáveis não falem do que não sabem e não ocultem nem distorçam a realidade dos factos e dos problemas.