sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

PORTUGAL TAMBÉM É ASSIMÉTRICO NAS POLÍTICAS

Quando se analisam os múltiplos problemas do desenvolvimento do nosso país e se estudam os respectivos indicadores, é inevitável a referência às suas assimetrias regionais, já que há de facto grandes contrastes em níveis de rendimentos e em índices de desenvolvimento económico e de bem-estar colectivo entre, por exemplo, a cidade de Lisboa e o resto do país, o norte e o sul e, sobretudo, entre o litoral e o interior, as áreas urbanas e as zonas rurais. No entanto, existem também grandes assimetrias nas próprias políticas governamentais e dessas pouco se fala, embora devessem preocupar-nos seriamente, pois elas resultam de opções políticas eventualmente erradas, em que o acessório, menos importante ou secundário pode muitas vezes ficar à frente do essencial, mais importante ou prioritário.

Essas assimetrias nas políticas caracterizam-se pelo facto de Portugal apresentar bons indicadores em determinadas situações, mas em nível bastante desproporcionado relativamente a outras situações, que apresentam indicadores fracos e que, por corresponderem a necessidades colectivas de grande importância, deviam situar-se em muito melhor nível do que estão.

Assim, sabemos que, quer em termos absolutos, quer em termos comparativos internacionais, Portugal se encontra bem posicionado em coisas com a rede de auto-estradas, a rede de hipermercados e supermercados, os estádios de futebol, a rede de agências bancárias e de caixas Multibanco, os equipamentos de energias renováveis, e pode vir a sê-lo em telemóveis, na banda larga nas escolas e até nos automóveis eléctricos. No entanto, o contraste é evidente e preocupante com a estagnação da nossa produção económica, incluindo os baixos índices de produtividade e a retracção das exportações, as reparações de estradas secundárias e de pontes, as insuficiências dos serviços de saúde e da rede de equipamentos sociais de apoio às crianças e aos idosos, os níveis de insucesso e de abandono escolar, bem como os níveis de iliteracia e de leitura de jornais, revistas e livros.