Revest
iram-se de surpreendente acrimónia, de invulgar aspereza e de grande agressividade as críticas que alguns sectores católicos dirigiram ao Presidente da República pelo facto de, por uma «questão de princípio», não ter vetado a lei, aprovada pela Assembleia da República, que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo, não obstante a declaração pública de Cavaco Silva a explicar por que motivos, embora discordando do diploma, tanto no plano pessoal, como no domínio político, bem como no âmbito do direito internacional comparado, entendia que, nas actuais circunstâncias da vida do país, não devia exercer o direito de veto, aliás inútil, já que não poderia impedir a posterior e obrigatória assinatura do diploma, depois de novamente aprovado no Parlamento (ver aqui).
iram-se de surpreendente acrimónia, de invulgar aspereza e de grande agressividade as críticas que alguns sectores católicos dirigiram ao Presidente da República pelo facto de, por uma «questão de princípio», não ter vetado a lei, aprovada pela Assembleia da República, que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo, não obstante a declaração pública de Cavaco Silva a explicar por que motivos, embora discordando do diploma, tanto no plano pessoal, como no domínio político, bem como no âmbito do direito internacional comparado, entendia que, nas actuais circunstâncias da vida do país, não devia exercer o direito de veto, aliás inútil, já que não poderia impedir a posterior e obrigatória assinatura do diploma, depois de novamente aprovado no Parlamento (ver aqui).Da minha parte, como católico que discorda frontalmente da ideia de união matrimonial homossexual, sob qualquer das suas formas possíveis, muito menos sob a forma de «casamento», confesso que sinto muita dificuldade, se não mesmo verdadeira impossibilidade, em compreender este insólito ruído comunicacional e o modo azedo como tem sido conduzida esta campanha contra o Presidente, onde até já há quem, em manifesto desalinhamento da realidade, fale na necessidade de ser encontrado um candidato presidencial alternativo, em quem os católicos (quais?) pudessem votar.
O que parece estranho, perturbador e incongruente é que tão severas críticas, algu
mas, ainda por cima, feitas «ad personam», nalguns casos em linguagem destemperada, não terem sido dirigidas ao Governo socialista de José Sócrates, que propôs a lei, e à maioria parlamentar que a aprovou, mas à circunstância de Cavaco Silva não ter vetado politicamente o diploma. Isto quer dizer que as críticas questionam a própria consciência do Presidente, negam-lhe a possibilidade de ter uma consciência própria, ou seja, pretendem impor-lhe «de fora» um padrão de consciência, uma consciência formatada.
mas, ainda por cima, feitas «ad personam», nalguns casos em linguagem destemperada, não terem sido dirigidas ao Governo socialista de José Sócrates, que propôs a lei, e à maioria parlamentar que a aprovou, mas à circunstância de Cavaco Silva não ter vetado politicamente o diploma. Isto quer dizer que as críticas questionam a própria consciência do Presidente, negam-lhe a possibilidade de ter uma consciência própria, ou seja, pretendem impor-lhe «de fora» um padrão de consciência, uma consciência formatada.De todas as críticas formuladas com grande alarido mediático, a que me fez mais impressão (negativa) e me causou maior constrangimento pessoal, por terem vindo de onde vieram e pelas expressões utilizadas, foi a do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo. Por um lado, salientando o facto de não lhe termos ouvido críticas deste
tipo ao Primeiro-Ministro, que foi o grande responsável por esta iniciativa legislativa fracturante, o Bispo de Lisboa veio contestar, não só uma decisão política concreta do Presidente, mas também os seus fundamentos políticos. D. José Policarpo foi, porém, mais longe, ao fazer uma afirmação exclusivamente política, quando salientou que se Cavaco Silva tivesse usado o veto político teria garantido a vitória nas próximas eleições presidenciais. Então agora o Cardeal Patriarca faz futurologia política e dá indicações sobre o modo como se podem ganhar eleições?
tipo ao Primeiro-Ministro, que foi o grande responsável por esta iniciativa legislativa fracturante, o Bispo de Lisboa veio contestar, não só uma decisão política concreta do Presidente, mas também os seus fundamentos políticos. D. José Policarpo foi, porém, mais longe, ao fazer uma afirmação exclusivamente política, quando salientou que se Cavaco Silva tivesse usado o veto político teria garantido a vitória nas próximas eleições presidenciais. Então agora o Cardeal Patriarca faz futurologia política e dá indicações sobre o modo como se podem ganhar eleições? Tudo isto quer dizer que Deus entrou indevidamente, pelo pé do Cardeal Patriarca, em terrenos próprios de César. Que diria D. José Policarpo se o Presidente da República viesse criticar publicamente determinadas decisões pastorais suas como Bispo da Diocese de Lisboa ou afirmações produzidas em homilias ou em documentos de orientação pastoral? Neste caso, seria César a invadir ilegitimamente o território de Deus.
Este infeliz e singular acontecimento faz lembrar a campanha que há anos tem sido conduzida por numerosos sectores pro-judaicos em todo o mundo, que criticam ferozmente, por vezes de forma acintosa, o Papa Pio XII pelo facto de este, durante a II Guerra Mundial, não ter feito uma declaração formal, explícita e solene de condenação do holocausto, não obstante todo o apoio que efectivamente deu, de forma mais ou menos discreta, mas eficaz, à causa judaica. Essa campanha vai ao ponto de questionar a intenção do actual Papa Bento XVI de proceder à beatificação daquele Sumo Pontífice. Também aqui há a pretensão e a ousadia, manifestamente intoleráveis, de querer condicionar a consciência do Santo Padre.


















modo como deixaram entrar certos países na exigente Zona Euro, sabiam há muito tempo como a Grécia era trapalhona, mesmo fraudulenta, no modo como manipulava os dados orçamentais e financeiros e distorcia os registos e as informações estatísticas. No entanto, por influência de uma visão «politicamente correcta», que quer fazer avançar a construção europeia por via de uma actuação baseada tanto na bonomia e condescendência, como no voluntarismo e na retórica, foram laxistas e negligentes. Quando acordaram, naturalmente sobressaltados e desorientados, já era tarde. Daí os gritos de que «estão a atacar o euro»!

se considera bom, verdadeiro e justo. Implica, por isso, o bom uso, de forma equilibrada e sensata, das faculdades cognitivas, de modo a ser possível evitar os erros, a confusão de ideias, as incoerências e as contradições. Isto quer dizer que a sabedoria tende a levar-nos ao cerne das coisas, à sua essência, sabendo nós que, como dizia um poeta, «por dentro das coisas é que as coisas são». No entanto, o caminho da sabedoria pode não ser fácil, pois exige esforço, trabalho e persistência.












