sexta-feira, 14 de maio de 2010

A VISITA DO PAPA SOB O SIGNO DA MISSÃO

É inerente à natureza humana, por força da sua racionalidade, que qualquer ideia que consideremos boa ou que, por qualquer razão, julguemos atraente ou útil, não se limite a ficar registada no nosso «banco de dados» pessoal, a permanecer no foro individual, mas que saia para fora de nós e seja transmitida aos outros homens. De facto, tal como a sociabilidade é inerente à nossa maneira de ser e de viver, também a comunicabilidade aos outros, ou seja, a transmissão pela palavra, faz parte da essência do ser humano.

Não admira, por isso, que o cristianismo seja por natureza comunicante. Como sabemos, a sua essência está consubstanciada na «boa nova» («evangelho» em grego) que, precisamente por isso, por ser nova e ser boa, tem de ser transmitida a todos, anunciada a todo o tempo e em qualquer lugar, partilhada com os outros. Por outro lado, se o conteúdo dessa boa nova assenta no amor, na caridade e na partilha, ou seja, em prestar atenção, expressa em cuidado e ajuda, aos outros, então a exteriorização do cristianismo atinge uma dimensão total.

Assim, é congénita ao cristianismo e à Igreja a necessidade e a obrigação de estarem voltados para fora, para os homens e mulheres em todas as comunidades, tanto dos crentes, como dos não crentes. Esta comunicabilidade é muito abrangente, ou seja, inclui tanto a pregação do Evangelho e a propagação da fé, como as acções de valorização humana, designadamente nos domínios da educação e do apoio social e caritativo. Em resumo, falar de cristianismo é falar em missão.

Esta missão é universal e permanente. Mesmo os países europeus que, como Portugal, são considerados «tradicionalmente católicos», qualquer que seja o sentido a dar a esta expressão ambígua, certamente enganadora, em que os cristãos são efectivamente uma minoria, constituem hoje verdadeiras terras de missão, por força do domínio avassalador conseguido nas respectivas sociedades pelas correntes culturais relativistas e secularizantes.

Missão foi o que Bento XVI veio fazer a Portugal nestes quatro dias de visita, que hoje terminaram, como de forma evidente e poderosa resulta dos seus discursos e das suas homilias, onde ressaltam o rigor estruturado do pensamento, a clareza e desassombro das palavras, bem como a oportunidade e acutilância das mensagens. Por isso, quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça, quem tiver cabeça para pensar, que pense.