Se é verdade que o programa da visita de quatro dias do Papa a Portugal se reparte por diversos locais e se concretiza em variadas acções, o seu núcleo central refere-se à peregrinação ao santuário de Fátima, que constituiu, de resto, a sua restrita opção inicial. Por isso, nestes dias fala-se muito, por vezes quase exclusivamente, porventura até de forma desproporcionada, de Fátima, do santuário, das peregrinações, das multidões concentradas, eventualmente das aparições de Nossa Senhora, mas o acento tónico tende a incidir sobre os aspectos que parecem mediaticamente mais relevantes, como as marchas dos peregrinos, as promessas dos fiéis, os ritos particulares praticados, a exprimir a chamada «devoção popular», as procissões, as vigílias e assim por diante.Aqui e além podemos ouvir falar da «mensagem de Fátima», em que o seu conteúdo programático parece por vezes de algum modo desligado da mensagem evangélica, como se aquela não fosse uma simples explicitação particular e conjuntural desta, que é por natureza totalizadora e permanente. Por tudo isto, ouvimos falar muito pouco de Jesus Cristo, afinal a insubstituível «pedra angular» da fé cristã. Nesta perspectiva, tenho a impressão de que de todos os qualificativos e predicados atribuíveis a Bento XVI o de Vigário de Cristo é porventura o que exprime a sua mais forte imagem e transmite a sua mais poderosa mensagem.
Esta tendência para se falar pouco de Cristo é recorrente na prática da piedade de muitos fiéis, sobretudo quando inserida em
manifestações de cariz popular. São os santos e as múltiplas devoções tradicionais que marcam mais fortemente as características, o ritmo e a intensidade dessa prática cristã. Noutros tempos, isso até poderia ter parecido pedagógico, dada a generalizada falta de instrução dos fiéis e o seu escasso acesso directo e pessoal aos textos das Sagradas Escrituras. Na actualidade, muitas dessas práticas podem parecer desfasadas, fora de tempo, a evidenciar algum desajustamento de certos sectores da Igreja relativamente aos dias de hoje.
manifestações de cariz popular. São os santos e as múltiplas devoções tradicionais que marcam mais fortemente as características, o ritmo e a intensidade dessa prática cristã. Noutros tempos, isso até poderia ter parecido pedagógico, dada a generalizada falta de instrução dos fiéis e o seu escasso acesso directo e pessoal aos textos das Sagradas Escrituras. Na actualidade, muitas dessas práticas podem parecer desfasadas, fora de tempo, a evidenciar algum desajustamento de certos sectores da Igreja relativamente aos dias de hoje.Afinal, Cristo é que é o Senhor, o Princípio e o Fim, o Alfa e o Ómega, como se diz na liturgia. Como Filho de Deus e Verbo do Pai, assumiu a condição humana (um acontecimento verdadeiramente espantoso a todos os títulos) para, através da sua paixão, morte e ressurreição reconciliar de modo definitivo os homens com Deus. Na verdade, é ele o único e grande Mediador. As pontes, que estavam quebradas, foram por ele restauradas para sempre. E, a par disso, que é tudo aquilo a que o homem poderia aspirar, deixou-nos a maravilhosa doutrina do amor e da fraternidade, a única que pode resolver a sério os problemas e os dramas da humanidade.
Precisamos, por isso, de tudo fazer para que a piedade e a linguagem cristãs voltem a ser inteiramente, assumidamente, cristocêntricas, mesmo quando falamos do Papa, pois nele prevalece o título de vigário de Cristo, mesmo quando veneramos a Virgem Maria, porque o seu estatuto de Nossa Senhora decorre de ser a Mãe de Cristo Salvador.