Fazer
anos nunca é rotina, mesmo quando pareça sê-lo. Um ano nunca é igual ao que o antecedeu, pois tudo funciona sob o signo da mudança, da novidade, da renovação, mesmo quando pareça que nada de essencial se alterou. Mudaram, pelo menos, os pormenores, os detalhes, tanto interiores, como os exteriores, e estes não devem ser negligenciados, pois são fundamentais na vida humana, tanto individual, como colectiva. As pessoas a quem parece que tudo está na mesma passado um ano são as que andam distraídas e não reparam nas pequenas mudanças, embora sejam elas que preparam e às vezes sugerem ou anunciam as grandes mudanças.
anos nunca é rotina, mesmo quando pareça sê-lo. Um ano nunca é igual ao que o antecedeu, pois tudo funciona sob o signo da mudança, da novidade, da renovação, mesmo quando pareça que nada de essencial se alterou. Mudaram, pelo menos, os pormenores, os detalhes, tanto interiores, como os exteriores, e estes não devem ser negligenciados, pois são fundamentais na vida humana, tanto individual, como colectiva. As pessoas a quem parece que tudo está na mesma passado um ano são as que andam distraídas e não reparam nas pequenas mudanças, embora sejam elas que preparam e às vezes sugerem ou anunciam as grandes mudanças.A frase «fazer anos» é interessante e curiosa, porque cria a ilusão de que estamos, perante o acontecimento, numa posição activa, como indicia a expressão verbal utilizada, que sugere a ideia de realizar, criar ou construir. Na verdade, é a roda do calendário, expressão do mecanismo temporal do maravilhoso relógio cósmico que é o universo, que vem ter connosco, por assim dizer bater-nos à porta e chamar-nos para o facto, inevitavelmente relevante, de que «passou mais um ano».
Por isso, para não sermos ultrapassados pelo tempo, temos que estar em sintonia com ele e compreender o seu significado. Afinal, fazer anos é alargar e enriquecer o passado, a única realidade verdadeiramente consistente com que contamos. Toda a nossa vida está aí concentrada. É lá que podemos encontrar os elementos determinantes da nossa personalidade no presente. O presente, como sabemos, é fugidio e volátil, altera-se a cada segundo, pois rapidamente entra no passado, enquanto o futuro é uma incógnita, uma mera possibilidade.
Este depósito do passado, este legado da ancianidade, tem hoje menos significado do que teve no passado, nas sociedades antigas, como o demonstra a importância que tinham na vida colectiva os chamados «conselhos de anciãos». Mas talvez fosse
bom repor na vida política esse traço específico dos mais velhos. Por isso me parece que na estrutura constitucional o Parlamento devia ter duas câmaras, uma universal e outra mais selectiva, como o senado nalguns países, em que a maturidade e a experiência dos mais idosos permitiriam dar um contributo consistente e sensato à definição das políticas. De igual modo, seria útil que os responsáveis políticos dessem mais ouvidos do que dão hoje à voz dos que «já passaram por elas», que inclusivamente, muitas vezes, «comeram o pão que o diabo amassou». Talvez cometessem menos erros, porque a experiência da vida não é uma figura de retórica, mas uma realidade cultural efectiva.
bom repor na vida política esse traço específico dos mais velhos. Por isso me parece que na estrutura constitucional o Parlamento devia ter duas câmaras, uma universal e outra mais selectiva, como o senado nalguns países, em que a maturidade e a experiência dos mais idosos permitiriam dar um contributo consistente e sensato à definição das políticas. De igual modo, seria útil que os responsáveis políticos dessem mais ouvidos do que dão hoje à voz dos que «já passaram por elas», que inclusivamente, muitas vezes, «comeram o pão que o diabo amassou». Talvez cometessem menos erros, porque a experiência da vida não é uma figura de retórica, mas uma realidade cultural efectiva.