Cele
bra-se hoje o maior de todos os mistérios do cristianismo, o da Santíssima Trindade, o mistério do Deus único que opera e se manifesta através de três Pessoas distintas. É um mistério de que correntemente pouco se fala e em que, em regra, não se pensa muito entre os cristãos, pois, embora constitua o núcleo central da religião cristã, é muitas vezes obscurecido ou mesmo substituído por crenças, práticas, rituais e hábitos menores, ainda que populares, que se foram acumulando ao longo dos anos. Uma boa procissão, por exemplo, costuma ser muito mais atractiva para os cristãos enredados nas exterioridades da sua fé.
bra-se hoje o maior de todos os mistérios do cristianismo, o da Santíssima Trindade, o mistério do Deus único que opera e se manifesta através de três Pessoas distintas. É um mistério de que correntemente pouco se fala e em que, em regra, não se pensa muito entre os cristãos, pois, embora constitua o núcleo central da religião cristã, é muitas vezes obscurecido ou mesmo substituído por crenças, práticas, rituais e hábitos menores, ainda que populares, que se foram acumulando ao longo dos anos. Uma boa procissão, por exemplo, costuma ser muito mais atractiva para os cristãos enredados nas exterioridades da sua fé.Este profundo mistério de Deus não é cognoscível pela razão humana, mas apenas captável pela fé. O que sabemos ou entrevemos foi-nos revelado pelo próprio Deus e consta dos Evangelhos, onde Jesus nos fala do Pai, do qual procede desde toda a eternidade, do Filho, que é ele mesmo, o Verbo, a Palavra de Deus, que se fez homem e, assim, entrou na história, e o Espírito Santo, que liga o Pai e o Filho num amor infinitamente dinâmico e criativo.
Apesar da transcendência deste mistério, podemos tentar vislumbrar racionalmente algo da sua natureza, prescrutando o nosso próprio mundo interior, enquanto seres humanos dotados de pensamento, vontade e liberdade. Se o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, subsiste nele algo, à sua escala, análogo a Deus, que podemos apreender.
De facto, nós sentimos que, por força da nossa actividade mental, não estamos completamente isolados, na medida em que podemos projectar o nosso eu em termos tais que nos é possível dialogar connosco mesmos, como se tivéssemos um interlocutor interior, como se fôssemos um desdobramento de nós próprios. É desse modo que projectamos, com a limitação que nos é própria, o nosso pensamento, a nossa palavra, o nosso verbo. Por outro lado, ao analisar e contemplar esta projecção das nossas ideias, da nossa acção cognitiva, podemos sentir, de certo modo, uma relação afectiva, de benquerença, de amor por aquilo que somos.
Em Deus, imenso e absoluto, o Pai projectou desde toda a eternidade o seu Verbo, o seu Lógos. Trata-se de uma projecção ontológica, consubstancial, que determina a processão do Filho, como Pessoa, embora com a mesma substância e em plena unidade consigo. O próprio Cristo afirmou: o Pai e eu somos um. A relação do Pai com o Filho é feita de um amor incomensurável e infinito, num elo igualmente substancial, mas distinto, que afirma o Espírito Santo como Pessoa. Assim, Deus é pura relação, uma comunhão dinâmica que, numa unidade ontológica absoluta, revela o seu Poder, a sua Inteligência e o seu Amor, infinitos e eternos.