Foi muito falada a recente reunião que o presidente do PSD Pedro Passos Coelho teve, a seu pedido, com o Primeiro-Ministro José Sócrates. Percebeu-se que com tal encontro se quis dar um sinal, tanto internamente como, sobretudo, no exterior, tendo em vista a acalmia dos mercados financeiros, de que tanto o Governo como a Oposição estavam empenhados em colocar Portugal no bom caminho. Porém, a reunião não foi desprovida de equívocos e mal entendidos, dado que em política nada é gratuito nem inocente.Passos Coelho não foi a São Bento apoiar sem mais o criticado PEC do Governo, até porque o PSD já tinha apresentado um elenco de propostas alternativas, conhecido como plano
B, baseado num amplo corte das despesas. Ter-se-ia dado o caso de José Sócrates ter dado a entender estar sensibilizado para tomar medidas adicionais, que parecem necessárias, estribadas neste plano? De qualquer modo, a verdadeira posição do Primeiro-Ministro foi conhecida, não certamente por acaso, logo no dia seguinte, através de declarações do Ministro das Obras Públicas e, sobretudo, das afirmações categóricas de José Sócrates no Parlamento de que iriam manter-se as grandes obras públicas, que muitos consideram faraónicas e susceptíveis de agravar o peso da dívida, tanto do Estado, como das empresas.
B, baseado num amplo corte das despesas. Ter-se-ia dado o caso de José Sócrates ter dado a entender estar sensibilizado para tomar medidas adicionais, que parecem necessárias, estribadas neste plano? De qualquer modo, a verdadeira posição do Primeiro-Ministro foi conhecida, não certamente por acaso, logo no dia seguinte, através de declarações do Ministro das Obras Públicas e, sobretudo, das afirmações categóricas de José Sócrates no Parlamento de que iriam manter-se as grandes obras públicas, que muitos consideram faraónicas e susceptíveis de agravar o peso da dívida, tanto do Estado, como das empresas.Para que ninguém tivesse dúvidas sobre o que o Primeiro-Ministro pensa e pretende fazer, a resposta foi directa e brutal: não vai haver alteração das medidas já anunciadas. Como é isto possível, perguntarão muitos? A resposta parece simples: o Primeiro-Ministro tem a inflexibilidade própria de um político determinado, eventualmente teimoso, mas não possui de forma alguma a abrangência e a visão flexível de um estadista.
Por isso, é bem possível que Passos Coelho se tenha equivocado sobre os possíveis efeitos da sua reunião com José Sócrates, como é admissível que se tivesse igualmente enganado (ou tenha sido induzido a isso) quanto aos reais propósitos do Primeiro-Ministro, um homem que, como se tem visto, acredita sem reservas nas virtudes, como que mágicas, da despesa pública e desvaloriza sistematicamente o significado da existência de uma dívida do Estado excessiva.