quinta-feira, 6 de maio de 2010

PENSAR MAIS NOS APOIOS ÀS FAMÍLIAS

Muitos de nós já devemos ter reparado em mães e pais, apressados e ansiosos, porventura algo aflitos, que, por vezes bem cedo pela manhã, faça sol ou faça chuva, de transporte colectivo ou em automóvel próprio, se deslocam com filhos pequenos, alguns de tenra idade, em direcção aos equipamentos sociais de apoio às crianças (creches, jardins de infância e centros infantis) ou a famílias de acolhimento temporário (amas). Também sabemos, por experiência pessoal de cada um ou de familiares seus, por relatos dos pais das crianças ou por registos da comunicação social, que muitos desses equipamentos se encontram afastados das áreas onde residem as famílias. São assim tão impressionantes como comoventes os trabalhos e as canseiras a que tantos pais são obrigados para cuidarem dos seus filhos.

É do domínio público que aqueles equipamentos e serviços de apoio social à infância são insuficientes para as necessidades familiares, além de que muitos funcionam em condições que se devem considerar desajustadas. Estamos, portanto, perante um problema social muito sério. Numa sociedade como a portuguesa em que a taxa de participação feminina no trabalho é bastante elevada, a necessidade de uma boa rede destes equipamentos é absolutamente fundamental, tanto para as famílias, como para as empresas, ou seja, em geral, para a economia e o conjunto da sociedade.

No entanto, quase desapareceu a prática, que já teve significado em Portugal, de as empresas se preocuparem em dispor deste tipo de equipamentos sociais, que deveriam considerar tão importantes como os refeitórios ou as cantinas, que muitas empresas não se dispensam de organizar. Serão os incentivos fiscais insuficientes para estimular as iniciativas ou estaremos perante a alteração do quadro de valores e de perspectivas sociais relativos à família e, consequentemente, face à diminuição do empenhamento social por parte dos empresários?

É igualmente sabido que a rede pública destes equipamentos sociais, além de insuficiente, se distribui de forma irregular pelo território, o que traduz a falta de adequado planeamento neste domínio. Felizmente existe uma enorme rede supletiva de instituições particulares de solidariedade social, a maioria de inspiração cristã, que se desdobra em múltiplos equipamentos que disponibiliza de norte a sul do país. No entanto, é reconhecido que a oferta global, pública e privada, não é suficiente para as necessidades gerais das famílias, que se debatem por vezes com o problema de terem de recorrer a equipamentos de entidades privadas com fins lucrativos, cujos encargos não são satisfatoriamente compensados pelas deduções fiscais previstas.

Não seria maravilhoso ouvir um dia destes os responsáveis governamentais, tão orgulhosos do investimento público a torto e a direito, afirmarem que iriam aplicar nestes equipamentos sociais uma pequena fracção dos muitos milhares de milhões de euros que pretendem gastar em gigantescas obras públicas? Ou será que os problemas e dramas das famílias e as necessidades das crianças não sensibilizam os seus espíritos e não enternecem os seus corações? Ou será que o país em que pensam não é o país real, o país de todos nós?