Todas
as crises, qualquer que seja a sua natureza, constituem sempre um teste à personalidade e ao carácter das pessoas envolvidas. No domínio político, a actual crise económica e financeira que afecta praticamente todos os países europeus é também um sinal indicador de que, face às actuações dos responsáveis, estamos perante simples políticos vulgares ou em face de verdadeiros estadistas. Os primeiros escudam-se em desculpas e culpabilizam terceiros, enquanto os segundos dizem a verdade e assumem frontalmente as suas responsabilidades.
as crises, qualquer que seja a sua natureza, constituem sempre um teste à personalidade e ao carácter das pessoas envolvidas. No domínio político, a actual crise económica e financeira que afecta praticamente todos os países europeus é também um sinal indicador de que, face às actuações dos responsáveis, estamos perante simples políticos vulgares ou em face de verdadeiros estadistas. Os primeiros escudam-se em desculpas e culpabilizam terceiros, enquanto os segundos dizem a verdade e assumem frontalmente as suas responsabilidades.Ultimamente temos sido bombardeados por frases curiosas, tanto em Bruxelas (sobre a crise grega e a europeia), como em Lisboa (sobre a crise portuguesa), que afinam pelo mesmo diapasão desculpabilizante: «o euro está a ser atacado pelos mercados»; «Portugal está a ser vítima de um ataque especulativo dos mercados». Os mercados, essa nova e misteriosa entidade, vaga, como que saída do vazio, sem rosto, aparece como um ser malfazejo, um monstro (para nós, um novo Adamastor) que, por acinte e malvadez, quer destruir a «boa» governação financeira, tanto portuguesa como europeia.
É cómodo, prático e útil, mas é igualmente desonesto, através da invocação de um bode expiatório, assumir o papel de vítima mais ou menos indefesa, o que permite esconder o facto de estas crises serem principalmente fruto de um certo autismo político, da imprevidência, da deficiência de planeamento, da falta de controlo e supervisão, enfim, da insuficiência ou inadequação dos instrumentos de gestão financeira nacionais e comunitários.
As autoridades comunitárias, que se descuidaram no
modo como deixaram entrar certos países na exigente Zona Euro, sabiam há muito tempo como a Grécia era trapalhona, mesmo fraudulenta, no modo como manipulava os dados orçamentais e financeiros e distorcia os registos e as informações estatísticas. No entanto, por influência de uma visão «politicamente correcta», que quer fazer avançar a construção europeia por via de uma actuação baseada tanto na bonomia e condescendência, como no voluntarismo e na retórica, foram laxistas e negligentes. Quando acordaram, naturalmente sobressaltados e desorientados, já era tarde. Daí os gritos de que «estão a atacar o euro»!
modo como deixaram entrar certos países na exigente Zona Euro, sabiam há muito tempo como a Grécia era trapalhona, mesmo fraudulenta, no modo como manipulava os dados orçamentais e financeiros e distorcia os registos e as informações estatísticas. No entanto, por influência de uma visão «politicamente correcta», que quer fazer avançar a construção europeia por via de uma actuação baseada tanto na bonomia e condescendência, como no voluntarismo e na retórica, foram laxistas e negligentes. Quando acordaram, naturalmente sobressaltados e desorientados, já era tarde. Daí os gritos de que «estão a atacar o euro»!Portugal é o que nós sabemos. O Governo vive há muito em «estado de negação», o que o conduziu para a perigosa situação de actuar num mundo virtual, feito de uma mistura de autoconvencimento, encenação e retórica. Por isso, foi tão traumático o choque com a realidade bruta, quando esta se apresentou sem pedir licença e sem dar lugar a desculpas e evasivas. O torpor e a preguiça deram lugar a confusão e desorientação, quando o Governo recebeu das instâncias internacionais um verdadeiro ultimato (pois foi disso que realmente se tratou) para mudar de vida. Agora, são os portugueses que muito justamente se podem considerar vítimas de má governação. Afinal, o monstro é outro, é real e está cá dentro!