No passado dia 15 de Abril realizou-se o primeiro debate político televisivo dos líderes dos principais partidos políticos britânicos, tendo em vista as eleições legislativas marcadas para 5 de Maio. Segundo os comentadores, o líder do Partido Liberal-Democrata Nick Clegg suplantou os seus adversários, tanto o líder do Partido Conservador David Cameron, como o líder do Partido Trabalhista e actual Primeiro-Ministro Gordon Brown. De certo modo, Nick Clegg teve possibilidade de estar mais à vontade, uma vez que o seu partido, sendo irremediavelmente terceiro, não irá ganhar as eleições. Como se sabe, as sondagens têm repetidamente favorecido o Partido Conservador, embora por reduzida margem.Nesse debate, Nick Clegg lembrou que, perante as excepcionais dificuldades por que passa o país, a governação deveria partir de uma atitude realista abrangente. Assim, enquanto os trabalhistas acentuam mais os problemas sociais, que são inegáveis, os conservadores sublinham de preferência as questões da economia e das empresas, que são indiscutíveis, enquanto os liberais democratas chamam com ênfase a atenção para os problemas das liberdades individuais e dos direitos humanos, que são incontestáveis. Por isso, o governo que sair das eleições, embora deva naturalmente governar com base no seu programa, deveria ter em atenção os contributos e as chamadas de atenção dos outros partidos.
Esta ideia baseia-se num pressuposto de grande importância para o funcionamento da democracia, que é por vezes um pouco esquecido. Sendo a democracia o governo do povo, o poder político eleito tem a missão fundamental de olhar pelas necessidades efectivas das populações. Isto significa que o poder político obtido é um simples, embora poderoso, instrumento para a prestação de um conjunto de serviços a toda a comunidade, como resposta aos problemas reais que afligem os cidadãos.
Ora, o que muitas vezes acontece é que a conquista do poder é considerada um fim em si mesmo, pelo que o partido político vencedor obtém o poder apenas para o exercer e o conservar. Quando o poder político se transforma assim, de uma forma perversa e perigosa, num fim em si mesmo, as preocupações do governo centram-se prioritariamente no gozo do domínio, no desfrute da autoridade e no prazer do comando e da influência que o poder confere e proporciona. Nestas circunstâncias, o partido que exerce o poder governamental tende a fechar-se sobre si próprio, sem capacidade de abertura ao diálogo sincero e à cooperação política efectiva, para bem do povo.