sábado, 3 de abril de 2010

A EXPECTATIVA ANSIOSA DE SÁBADO SANTO

Morto e sepultado Jesus, as ideias mais negras terão de imediato dominado os seus discípulos: estariam eles perante um m0numental fracasso, um projecto totalmente falhado, um fiasco inconcebível? De facto, o que é normal na condição humana é que as grandes realizações, sob o impulso de um grande líder, de um chefe incontestado, de um dirigente carismático, sejam levadas a cabo durante a vida dele. Como a história abundantemente comprova, com a morte de um grande chefe a sua obra normalmente não subsiste, pelo menos nos termos em que estava estruturada. A maior parte das vezes esboroa-se rapidamente.

Nisto consistia a grande angústia dos seguidores de Jesus Cristo. Como poderia o reino de que ele falava ser proclamado e subsistir? Que poderiam eles fazer, entregues a si próprios, sem a orientação carismática única de Jesus? Podemos imaginar a amplitude e a intensidade da perturbação que todos sentiram quando o grande mobilizador do inovador projecto de mudança tinha sido aparentemente aniquilado. Alguns poderão mesmo ter sentido uma viva frustração, outros terão sido invadidos por uma raiva incontida por as coisas se terem passado assim, enquanto outros terão sido esmagados por uma angústia inultrapassável. De facto, parecia que Deus tinha abandonado o seu povo e o seu grande profeta, agora morto. De um modo geral, todos terão sentido uma profunda desorientação, que os deixava sem uma perspectiva de futuro. Perguntar-se-iam uns aos outros o que deveriam fazer, mas não encontravam resposta satisfatória.

Mergulhados nestes pensamentos de tristeza e angústia, dominados por sensações de desânimo e impotência, não faziam a mínima ideia do que estava para acontecer na madrugada de domingo e que viria a transformar radicalmente as suas vidas, bem como as de muitos milhões de homens e de mulheres ao longo dos séculos, até aos dias de hoje, ou seja, a descoberta de que, afinal, Jesus continuava vivo, porque tinha ressuscitado!