Tendo terminado o período pascal e as festas e celebrações que o caracterizam, são vários os sentimentos e diversas as percepções com que, em forma de balanço, nos podemos rever nesses dias. É natural que tais sentimentos e percepções variem de pessoa para pessoa, de acordo com a matriz cultural e a sensibilidade dominantes em cada um e a sua posição pessoal perante a realidade da Páscoa.Os que tiveram a possibilidade de participar nas cerimónias litúrgicas do tríduo pascal terão certamente reparado como são diferentes, mais belas e significativas do que as demais celebrações litúrgicas correntes, designadamente a habitual missa dominical. De certo modo, estão mais próximas, tanto no conteúdo, como na forma, das tradições litúrgicas primitivas da Igreja dos primeiros séculos. Se isso para alguns pode parecer um arcaísmo religioso, para outros representará certamente um refrescante regresso à pureza das origens.
Ao mesmo tempo, é possível que os que tiveram a oportunidade de participar nas cerimónias tenham reparado num fenómeno que, aliás, está comprovado pelas estatísticas: o número de pessoas que tomam parte nas celebrações litúrgicas tem vindo a diminuir de ano para ano e, ao mesmo tempo, é maior a percentagem das pessoas idosas. Estaremos perante uma debandada em massa dos jovens e das pessoas de meia idade? A questão é complexa e delicada, susceptível de controvérsia, a aconselhar comentários apropriados noutra ocasião.
A segunda percepção que se recolhe do período pascal tem que ver com o calor e a alegria do convívio familiar, já que os encontros familiares são uma das boas práticas que as festas pascais proporcionam. É uma oportunidade, às vezes única ao longo de todo o ano, de se reafirmarem laços de amizade, de se aprofundarem formas de cooperação, entreajuda e partilha de informação ou simplesmente de se sentir a força e a consistência dos vínculos familiares, de certo modo a contrariar a ideia de que a família seja porventura uma instituição em crise.
Finalmente, a terceira percepção é inerente aos que aproveitaram estes dias para um período de descanso e lazer, aquilo a que se convencionou chamar «miniférias da Páscoa». Ainda que materialmente sejam férias como quaisquer outras, dificilmente escaparão, no entanto, ao facto de serem determinadas e enquadradas pelo período das celebrações pascais. Por isso, a mensagem própria da Páscoa terá estado sempre presente, em maior ou menor grau, no decurso desses dias, não só pela coincidência temporal dos eventos, mas também pela poderosa força imagética e ideológica que a Páscoa transmite, mesmo que apenas sub-repticiamente,