sexta-feira, 2 de abril de 2010

O DRAMA PUNGENTE DE SEXTA-FEIRA SANTA

Jesus Cristo, para comprovar que, sendo uma Pessoa de Deus, assumiu integralmente a natureza humana, mostra no dia de hoje que também se submeteu àquilo que o homem mais teme na vida, que mais o perturba, que mais o pode desorientar: a injustiça, o sofrimento e a morte. Sendo um homem, assumiu-se como tal em plenitude, até ao fim. Ao mesmo tempo, a prisão arbitrária, o julgamento injusto, a tortura cruel e a morte ignominiosa de Jesus relançam a nossa perplexidade e angústia sobre os contrastes, as ambivalências, as contradições e a mesquinhez que tantas vezes pautam a actuação dos homens.

O medo e a cobardia foram evidenciados pelos próprios discípulos de Jesus, já que, esquecidos das suas promessas, se puseram em fuga. A traição foi concretizada por Judas Escariotes, que, deslumbrado com o que pensava ser a redenção (política e militar) de Israel, se deixou dominar por um profundo ressentimento. A volubilidade e a mesquinhez foram expressas pela populaça que, levada pela desilusão de ver um profeta fazer o contrário do que esperava, mudou rapidamente de atitude e actuou dominada pela fúria das paixões.

O oportunismo, o cinismo e a hipocrisia foram protagonizados pelos chefes religiosos judeus, que encontraram no acontecimento uma excelente oportunidade de melhorarem o seu relacionamento com as autoridades romanas e, ao mesmo tempo, se livrarem de um rabi incómodo e perigoso para o poder religioso estabelecido: «se for preciso, morra um homem para salvar o povo». A inconstância e incompetência foram claramente exibidas por um Pôncio Pilatos inseguro e desorientado, que não soube usar o enorme poder de que dispunha para fazer justiça em nome da verdade.

No meio de todas estas manifestações de fraqueza e inferioridade humanas, tão tragicamente repetidas ao longo da história, sobressai o exemplo magnífico de Jesus Cristo que, felizmente, também no decurso dos séculos, tantos homens e mulheres assumiram como padrão de comportamento: lucidez perante a adversidade, coragem perante as dificuldades, fidelidade aos princípios, compaixão para com os fracos, paciência perante a dor e a injustiça, serenidade em face da morte e confiança nos desígnios de Deus.