Todos sentimos que é cada vez maior a nossa dependência em relação às máquinas e equipamentos e que essa conexão subordinada dos seres humanos com os instrumentos e utensílios que ele próprio inventa e fabrica é tanto maior quanto mais sofisticados e úteis se apresentam esses artefactos. A informática e as comunicações electrónicas são um dos mais poderosos e eficazes instrumentos com que o homem pode ampliar, qualitativa e quantitativamente, a sua intervenção em todos os domínios de actividade. Por isso, uma falha na utilização diária destes magníficos instrumentos origina sérias dificuldades no processamento da informação, mostrando a cada um de nós a nossa dependência, vulnerabilidade e impotência, de que apenas nos apercebemos bem nestes momentos.As máquinas parecem-nos impecáveis e perfeitas, mas ao serem utilizadas e manipuladas pelo homem como que aprendem a ter «manias» ou a sofrer de «doenças», já que desafiando a lógica, aparentemente infalível, do quadro matemático em que funcionam, incorrem em avarias ou têm procedimentos incorrectos quando menos se espera. Subitamente, falham, e nem sempre explicam bem, em linguagem facilmente inteligível, isto é, em português e não em «maquinês», o que porventura está a correr mal e de que modo será possível voltar ao «status quo ante». Por isso, há sempre um imponderável à nossa espera que bloqueia a nossa capacidade de decisão, pois há coisas feitas pelas máquinas que não podem ser realizadas manualmente. Nestes casos, só resta esperar que as tentativas pessoalmente feitas ou levadas a cabo através de ajudas técnicas permitam ultrapassar as dificuldades encontradas.
Foi o que se passou comigo nestes dias, em que ocorreu uma luta estranha entre a minha lógica e a lógica do computador, que terá resolvido aderir a uma qualquer greve, mas sem aviso prévio nem a garantia de serviços mínimos. Daí a minha falta de comunicação neste blogue, sempre que não me foi possível utilizar um computador substituto.
Tudo isto quer dizer que devemos ter respeito e consideração pelas máquinas, pelas ajudas preciosas e fundamentais que nos proporcionam. Ao mesmo tempo, porém, precisamos de aprender a conhecer melhor as fraquezas e os possíveis desvios destes instrumentos ímpares, pois talvez assim seja possível prevenir a ocorrência dos seus erros, que são muitas vezes implacáveis e podem mesmo parecer cruéis.