Para
muitos, a vida é feita de dúvidas e incertezas, dominada por simples eventualidades e probabilidades. Nesse contexto, parece difícil ou mesmo impossível ter certezas, o que facilita o aparecimento de uma certa angústia existencial. As coisas passam-se assim quando se tem um horizonte limitado, enquadrado numa perspectiva puramente imanente, em que o homem apenas olha para si mesmo e muitas vezes não gosta do que vê. De facto, é limitado e decoroçoante o horizonte que tem como meta, como ponto de chegada, o transformarmo-nos em cinza, o voltarmos ao pó original de onde emergiu a nossa estrutura biológica. Por isso, à partida, a vida pode parecer um falhanço, um fracasso ou, pelo menos, uma desilusão, pois vai desembocar no nada, no vazio.
muitos, a vida é feita de dúvidas e incertezas, dominada por simples eventualidades e probabilidades. Nesse contexto, parece difícil ou mesmo impossível ter certezas, o que facilita o aparecimento de uma certa angústia existencial. As coisas passam-se assim quando se tem um horizonte limitado, enquadrado numa perspectiva puramente imanente, em que o homem apenas olha para si mesmo e muitas vezes não gosta do que vê. De facto, é limitado e decoroçoante o horizonte que tem como meta, como ponto de chegada, o transformarmo-nos em cinza, o voltarmos ao pó original de onde emergiu a nossa estrutura biológica. Por isso, à partida, a vida pode parecer um falhanço, um fracasso ou, pelo menos, uma desilusão, pois vai desembocar no nada, no vazio.Daí vem a interrogação profundamente existencial: quem somos nós? Um simples acidente biológico no enorme torvelinho do complexo e dinâmico processo evolutivo do universo? Por isso, questionamos: porque vivemos? Por simples impulso da rotina social em que estamos envolvidos com os outros homens, por mimetismo biológico ou por convicções próprias, que vamos laboriosamente construindo a partir da nossa identidade pessoal, feita de liberdade e de responsabilidade?
Mas há mais: como explicamos a nossa tendência, fortemente interiorizada, de permanência, de não precariedade, de não finitude, não obstante a nossa irremediável limitação ontológica e a nossa irrecusável contingência? Porque aspiramos a saber sempre mais e melhor, a desenvolver as nossas faculdades e aptidões, a melhorar e a progredir, a enriquecer sem parar a nossa personalidade?
Somos naturalmente instáveis, mas aspiramos, ainda que de forma difusa, à
estabilidade. Onde podemos encontrá-la? Se estivermos atentos, nós sentimos, nos mais profundos recônditos da nossa consciência, que, independentemente da hipótese de não existir mais nenhum planeta habitado, não estamos sós no universo como seres pensantes, que não somos os únicos dotados de razão, de inteligência e de liberdade, mas que estas propriedades foram recebidas de outra Razão, de outra Inteligência, de outra Liberdade?
estabilidade. Onde podemos encontrá-la? Se estivermos atentos, nós sentimos, nos mais profundos recônditos da nossa consciência, que, independentemente da hipótese de não existir mais nenhum planeta habitado, não estamos sós no universo como seres pensantes, que não somos os únicos dotados de razão, de inteligência e de liberdade, mas que estas propriedades foram recebidas de outra Razão, de outra Inteligência, de outra Liberdade?É no meio do entrechoque destes apelos interiores que surge o vislumbre, que pode adquirir os contornos de uma certeza inabalável, de que estamos acompanhados por Alguém, por Deus, e, por isso, bem amparados no difícil e sinuoso percurso da nossa vida. O isolamento e a solidão já não podem ter lugar, a angústia de desaparecermos ingloriamente na curva final da vida é eliminada, a reconfortante certeza de que a nossa personalidade, construída ao longo de toda uma vida, não é aniquilada nem destruída, mas que permanece, não apenas, de forma precária, nas oscilantes recordações da história, mas, de forma consistente e substantiva, em si mesma.