São tempo
s estranhos estes que vivemos, sobretudo pelas ambivalências e até contradições que caracterizam muitos aspectos da nossa vida colectiva. Esta dualidade de vivências e de experiências, susceptíveis, por isso, de gerar conflitos, traduz-se muitas vezes num certo mal-estar, difuso mas real, não raro profundo, que gera receios e incertezas e pode mesmo enquadrar verdadeiras angústias. De facto, nos nossos dias beneficiamos todos de mais progresso e desenvolvimento em tantos domínios (económico, não obstante as crises, tecnológico, científico, educativo, social, etc.), de que tem resultado o aumento da informação disponível e o acesso a mais bens de consumo, em suma, mais prosperidade e bem-estar individual e colectivo.
s estranhos estes que vivemos, sobretudo pelas ambivalências e até contradições que caracterizam muitos aspectos da nossa vida colectiva. Esta dualidade de vivências e de experiências, susceptíveis, por isso, de gerar conflitos, traduz-se muitas vezes num certo mal-estar, difuso mas real, não raro profundo, que gera receios e incertezas e pode mesmo enquadrar verdadeiras angústias. De facto, nos nossos dias beneficiamos todos de mais progresso e desenvolvimento em tantos domínios (económico, não obstante as crises, tecnológico, científico, educativo, social, etc.), de que tem resultado o aumento da informação disponível e o acesso a mais bens de consumo, em suma, mais prosperidade e bem-estar individual e colectivo. No entanto, como reverso da medalha, são muitos os que se queixam de que na vida do dia a dia é crescente o aparecimento de situações indubitavelmente negativas: maior intervenção do Estado na vida dos cidadãos que, de uma maneira ou de outra, reduz o espaço de liberdade individual de actuação; maior insegurança decorrente do aumento de vários tipos de criminalidade, que constrange o espaço de liberdade da vida de cada um em sociedade; maior instabilidade dos empregos, que limita a liberdade de exercício de actividade profissional; alteração significativa, para alguns mesmo dramática, do teor das relações familiares, com mais situações de conflitualidade e de ruptura, o que circunscreve o espaço de liberdade de cada em aspirar à estabilidade familiar.
Tudo isto tem efeitos no equilíbrio do corpo social, nas relações entre os diferentes grupos da sociedade e, em forma de ricochete, na confiança política e na eficácia da governação. No entanto, o que há de mais preocupante nesta evolução contraditória da sociedade é o facto de não ser reconhecida facilmente a raiz mais profunda destes males e destas dificuldades.
Há de facto uma tendência generalizada, talvez por efeito de uma cultura influenciada por ideias de matriz marxista, para responsabilizar, de modo g
enérico e indefinido, as estruturas económicas, sociais e políticas, como se todos os cidadãos fossem igualmente vítimas de uma espécie de «mão invisível» maléfica, que mexe os cordelinhos e tudo desestabiliza. Nem sempre há a lucidez, a franqueza e a coragem de reconhecer o facto de que a verdadeira causa está no evidente défice de valores, que constituem por si os alicerces estruturantes da sociedade.
enérico e indefinido, as estruturas económicas, sociais e políticas, como se todos os cidadãos fossem igualmente vítimas de uma espécie de «mão invisível» maléfica, que mexe os cordelinhos e tudo desestabiliza. Nem sempre há a lucidez, a franqueza e a coragem de reconhecer o facto de que a verdadeira causa está no evidente défice de valores, que constituem por si os alicerces estruturantes da sociedade. Esses valores traduzem uma exigência de qualidade humana em todos os domínios, sem a qual a vida colectiva se pode tornar numa espécie de «guerra civil» surda ou larvar, geradora dos mais variados conflitos entre as pessoas e os grupos sociais. De facto, há uma tendência, manifestamente nefasta, de não reconhecer que há uma responsabilidade individual de cada cidadão no actual estado de coisas. Por isso, se cada um de nós (e somos muitos milhões) conseguisse ser um pouco melhor, a sociedade no seu conjunto seria igualmente muito melhor.
É esta mensagem que, no fundo decorre, por vezes de forma subliminar, dos Evangelhos, em que se faz um apelo permanente e insistente à «conversão», ao «homem novo», à luz que não se esconde, à boa gestão dos «talentos», poucos ou muitos, de cada um, à difícil fidelidade nas coisas pequenas (os pormenores de cada acção), o apelo à perfeição individual, e assim por diante. A aceitação sincera da mensagem cristã só pode traduzir-se na valorização pessoal de cada ser humano, ou seja, no aumento da qualidade humana de cada pessoa.