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emoração do dia de Portugal não incide, contrariamente ao que seria expectável, tanto por razões históricas, como por motivos políticos objectivos, como acontece em muitos países, sobre a data em que o país adquiriu a sua independência, em que, portanto, surgiu como estado, enquanto nação politicamente organizada de forma autónoma no concerto das nações. Em tal perspectiva, o dia de Portugal, como festa da independência, só poderia, segundo autorizadas opiniões, ser comemorado a 5 de Outubro, pois foi nesse dia do ano de 1143 que, no Tratado de Zamora, o rei Afonso VII de Leão e Castela reconheceu o Condado Portucalense como reino e D. Afonso Henriques como rei de Portugal, título que, de resto, já usava de facto desde 1140.
emoração do dia de Portugal não incide, contrariamente ao que seria expectável, tanto por razões históricas, como por motivos políticos objectivos, como acontece em muitos países, sobre a data em que o país adquiriu a sua independência, em que, portanto, surgiu como estado, enquanto nação politicamente organizada de forma autónoma no concerto das nações. Em tal perspectiva, o dia de Portugal, como festa da independência, só poderia, segundo autorizadas opiniões, ser comemorado a 5 de Outubro, pois foi nesse dia do ano de 1143 que, no Tratado de Zamora, o rei Afonso VII de Leão e Castela reconheceu o Condado Portucalense como reino e D. Afonso Henriques como rei de Portugal, título que, de resto, já usava de facto desde 1140.Perguntar-se-á então porque motivo o Dia de Portugal foi fixado a 10 de Junho, dia que a
ssinala a morte de Camões, ocorrida em 1580. A história dá-nos, como sempre, uma explicação, embora esta possa parecer enviesada. O dia de Camões tinha sido bastante popular entre os republicanos antes da revolução de 5 de Outubro de 1910, como homenagem ao génio poético e patriótico do autor de Os Lusíadas e à gesta marítima dos portugueses, que os acontecimentos do ultimato britânico de 1890 ajudaram a consolidar. No entanto, o 10 de Junho apenas foi celebrado oficialmente pela Câmara Municipal de Lisboa, que o escolheu como feriado municipal.
ssinala a morte de Camões, ocorrida em 1580. A história dá-nos, como sempre, uma explicação, embora esta possa parecer enviesada. O dia de Camões tinha sido bastante popular entre os republicanos antes da revolução de 5 de Outubro de 1910, como homenagem ao génio poético e patriótico do autor de Os Lusíadas e à gesta marítima dos portugueses, que os acontecimentos do ultimato britânico de 1890 ajudaram a consolidar. No entanto, o 10 de Junho apenas foi celebrado oficialmente pela Câmara Municipal de Lisboa, que o escolheu como feriado municipal.De facto, curiosamente, o Governo Provisório da República, ao estabelecer em 1910 o elenco dos feriados nacionais, aliás em número muito reduzido, não consagrou nenhuma data como Dia de Portugal. É possível que a esta atitude não tenha sido alheio o embaraço político que terão sentido
os dirigentes republicanos pelo facto de o dia 5 de Outubro, data da independência, exaltar afinal o rei fundador da monarquia que os zelosos republicanos tanto odiavam. Por outro lado, teria sido difícil para a sua maneira sectária de fazer política aceitar uma dupla comemoração, dado que o dia 5 de Outubro foi considerado feriado nacional como «Dia dos Heróis da República». Por isso, ninguém considerou ser incongruente comemorar como feriado nacional o dia da restauração da independência (1 de Dezembro), mas não o dia da instauração da independência e da fundação da nacionalidade (5 de Outubro). Esta situação absurda manteve-se até aos dias de hoje.
os dirigentes republicanos pelo facto de o dia 5 de Outubro, data da independência, exaltar afinal o rei fundador da monarquia que os zelosos republicanos tanto odiavam. Por outro lado, teria sido difícil para a sua maneira sectária de fazer política aceitar uma dupla comemoração, dado que o dia 5 de Outubro foi considerado feriado nacional como «Dia dos Heróis da República». Por isso, ninguém considerou ser incongruente comemorar como feriado nacional o dia da restauração da independência (1 de Dezembro), mas não o dia da instauração da independência e da fundação da nacionalidade (5 de Outubro). Esta situação absurda manteve-se até aos dias de hoje.Foi afinal, com Salazar, no âmbito da ditadura do Estado Novo, que o dia 10 de Junho passou a ser feriado nacional como Dia de Portugal, de Camões e da Raça. Foi deste modo, com manifesta habilidade e evidente cinismo, que Salazar conseguiu harmonizar os vários interesses políticos em confronto: dos republicanos, promovendo o feriado municipal de Lisboa a feriado nacional e mantendo o 5 de Outubro apenas como comemoração da implantação do regime republicano; dos monárquicos e nacionalistas, considerando o dia como exprimindo a grandeza épica de Portugal e dos seus heróis; das Forças Armadas, glorificando a raça e os feitos militares dos portugueses.
Depois do 25 de Abril o dia 10 de Junho foi pintado de novo e teve outra tabuleta, pois
passou a ser considerado Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Como é evidente, esta denominação pomposa e prolixa representa uma tautologia inútil, pois falar de Camões, como de muitos outros grandes portugueses, é falar de Portugal, que os gerou, do mesmo modo que falar das comunidades portuguesas é falar de Portugal, de que são uma simples extensão migratória. No meio de tudo isto, D. Afonso Henriques, que «inventou» Portugal, continua marginalizado e esquecido. E, no entanto, se não fosse ele, porventura não existiria Portugal, não teria havido Camões, nem teriam surgido as comunidades portuguesas. Trata-se de uma grave injustiça histórica, fruto de uma deplorável mistura política de mesquinhez, oportunismo e cobardia.
passou a ser considerado Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Como é evidente, esta denominação pomposa e prolixa representa uma tautologia inútil, pois falar de Camões, como de muitos outros grandes portugueses, é falar de Portugal, que os gerou, do mesmo modo que falar das comunidades portuguesas é falar de Portugal, de que são uma simples extensão migratória. No meio de tudo isto, D. Afonso Henriques, que «inventou» Portugal, continua marginalizado e esquecido. E, no entanto, se não fosse ele, porventura não existiria Portugal, não teria havido Camões, nem teriam surgido as comunidades portuguesas. Trata-se de uma grave injustiça histórica, fruto de uma deplorável mistura política de mesquinhez, oportunismo e cobardia.