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o tem sido salientado por numerosos analistas e observadores, tanto políticos, como económicos, o Estado português, através da acção do seu Governo, domina excessivamente a sociedade e a actividade económica. Este sufoco estatal é confirmado pelo facto de que cerca de metade do rendimento nacional é absorvido, em despesa pública, pela acção do poder político. São sobretudo razões ideológicas que sustentam a tendência, caracteristicamente socialista, para as nacionalizações das actividades produtivas, quer directas (nacionalizações ostensivas ou «à bruta»), como se fazia antigamente, quer indirectas, por vezes de forma bastante subtil, sob o manto diáfano da «influência nas empresas», como se faz hoje com toda a desenvoltura (nacionalizações camufladas ou «inteligentes»).
o tem sido salientado por numerosos analistas e observadores, tanto políticos, como económicos, o Estado português, através da acção do seu Governo, domina excessivamente a sociedade e a actividade económica. Este sufoco estatal é confirmado pelo facto de que cerca de metade do rendimento nacional é absorvido, em despesa pública, pela acção do poder político. São sobretudo razões ideológicas que sustentam a tendência, caracteristicamente socialista, para as nacionalizações das actividades produtivas, quer directas (nacionalizações ostensivas ou «à bruta»), como se fazia antigamente, quer indirectas, por vezes de forma bastante subtil, sob o manto diáfano da «influência nas empresas», como se faz hoje com toda a desenvoltura (nacionalizações camufladas ou «inteligentes»).Esta verdadeira obsessão do poder político pela intervenção na sociedade civil, a propósito e a despropósito, tem duas facturas pesadíssimas. Por um lado, condiciona e limita a liberdade e a criatividade da mesma sociedade civil, pois o «condicionamento» resultante da presença «paternal» do Estado não facilita o aparecimento de iniciativas dos cidadãos. Por outro lado, sendo os recursos financeiros escassos e querendo o Estado acudir a tudo, meter-se em tudo, acaba por desperdiçar alguns desses recursos em actividades menos prioritárias, com sacrifício de outras mais fundamentais.
Foi neste contexto que surgiu há dias a notícia de que as coisas correm mal no Instituto Português de Oncologia de Lisboa, porventura a maior unidade de saúd
e do país na prevenção e no tratamento das doenças cancerosas. Como referiu um responsável do IPO, «o parque de radioterapia está envelhecido, nalguns casos incapacitado, e carece de remodelação urgente, que está em curso, mas se tem revelado lenta e complexa». De facto, como noticiaram os jornais, uma sucessão de avarias em material já obsoleto, menos eficaz do que os equipamentos mais modernos, impede há vários meses aquele Instituto de assegurar todos os tratamentos de radioterapia. Dos seis aceleradores lineares existentes apenas dois estão a funcionar, o que obriga a transferência de doentes para outras unidades de saúde, entre as quais algumas privadas.
e do país na prevenção e no tratamento das doenças cancerosas. Como referiu um responsável do IPO, «o parque de radioterapia está envelhecido, nalguns casos incapacitado, e carece de remodelação urgente, que está em curso, mas se tem revelado lenta e complexa». De facto, como noticiaram os jornais, uma sucessão de avarias em material já obsoleto, menos eficaz do que os equipamentos mais modernos, impede há vários meses aquele Instituto de assegurar todos os tratamentos de radioterapia. Dos seis aceleradores lineares existentes apenas dois estão a funcionar, o que obriga a transferência de doentes para outras unidades de saúde, entre as quais algumas privadas.A situação é, porém, mais grave quando vista em termos globais no conjunto do país, já que nas unidades públicas de saúde existem apenas 31 aceleradores lineares, nem todos operacionais, como se referiu, e alguns tecnologicamente desactualizados, a que acrescem 14 aparelhos de radioterapia a funcionar em unidades de saúde privadas. Ora, segundo os indicadores internacionalmente definidos, deveriam existir em Portugal, pelo menos, 50 aceleradores lineares.
Não podemos deixar de sentir uma profunda inquietação e mesmo uma justificada revolta por vermos um Estado gastador e perdulário, dirigido por políticos que estão sempre optimistas, sem angústias e satisfeitos consigo próprios, que se entretêm a gastar dinheiro em milhentas intervenções que dispensariam facilmente a presença do Governo, quando este não é capaz de assegurar níveis mínimos de eficácia em áreas absolutamente essenciais à satisfação de necessidades colectivas prioritárias dos portugueses.