domingo, 27 de setembro de 2009

PORTUGAL ANCORADO À ESQUERDA

Não deve causar admiração o resultado das eleições legislativas realizadas hoje. Em Portugal, há bastante tempo que, no domínio sociológico, a esquerda é maioritária, pelo que, em condições normais, tenderá a ser esse o resultado dos sufrágios.

Na história mais recente (desde o constitucionalismo novecentista) isso é verificável de forma clara em vários períodos: nas décadas de agonia do regime monárquico nos finais do século XIX e começos do século XX; após a implantação da República em 1910; mesmo durante o Estado Novo, pelo menos desde a década de 1950, em que se salientam como sintomas as eleições presidenciais de 1958 e as perturbações sociais nos anos sessenta; após o 25 de Abril de 1975, em que a própria Constituição apontava para um «rumo ao socialismo».

As excepções verificadas desde 1976, ou seja, os casos em que o País votou maioritariamente em partidos não socialistas, apenas confirmam aquela regra. De qualquer modo, apenas as eleições de 1987 e 1991, ganhas por Cavaco Silva, constituem verdadeiras excepções, já que as vitórias eleitorais em 1979-1980 e em 2002 (neste caso considerando também os votos obtidos pelo CDS, que entrou numa coligação pós-eleitoral) se caracterizaram por haver maioria dos deputados mas não a maioria dos sufrágios expressos. De qualquer modo, os governos de Sá Carneiro/Pinto Balsemão (1980-1983) e de Durão Barroso/Santana Lopes (2002-2005) acabaram por se mostrar governos frágeis e de curta duração, uma vez que não completaram as respectivas legislaturas.